Curitiba

Arquivo FolhaPontosEntre bares, boates, praças e ruas, as prostitutas indicaram 59 pontos de trabalho. Os travestis preferem ‘trabalhar’ no Centro e na BR-116. A maioria das mulheres (62,9%) disseram que não se realizam na profissão, número que cai para 32,05% entre os travestis. Em média, elas fazem sete programas por semana e eles, onzeEla mora no bairro, tem de 20 a 24 anos, não completou o primeiro grau, se diz católica, ganha R$ 30,00 por cada serviço e sabe como se proteger da Aids. Trata-se do perfil da prostituta curitibana, feito numa pesquisa com 303 mulheres entre abril e junho deste ano. O levantamento foi divulgado ontem pelo Grupo Dignidade, que ainda entrevistou 83 travestis e 44 clientes.
O número mais expressivo da pesquisa está relacionado à prevenção da Aids. A maioria absoluta das prostitutas (99,3%) se previne, principalmente através do uso da camisinha. Os travestis (98,8%) também tomam cuidado nos programas. A proteção só parece ser desprezada na relação com o parceiro fixo. Apenas 17% das mulheres e 23% dos travestis que têm parceiros utilizam preservativo na relação com eles.
‘‘É preciso chamar a atenção dos trabalhadores do sexo porque esse descuido pode transmitir Aids e outras doenças, como sífilis e gonorréia’’, observa o coordenador do Grupo Dignidade, Toni Reis, também agente de saúde. A pesquisa ainda mostrou que mulheres e travestis ganham de R$ 5,00 a R$ 90,00 por programa, geralmente feito em hotel, motel ou no próprio carro do cliente.
Entre bares, boates e praças, as prostitutas indicaram 59 pontos de trabalho. Os travestis, 13, preferencialmente no Centro e na BR-116. Muitas mulheres (62,9%) admitem que não se realizam na profissão. Enquanto isso, apenas 32,05% dos travestis, que trabalham mais, se dizem descontentes com a prostituição. Em média, elas fazem sete programas por semana. Eles, 11.
A idade média em que a mulher inicia na prostituição é 21 anos. O travesti começa mais cedo, aos 17. As prostitutas apontam sobrevivência e falta de oportunidade como os principais motivos que as levaram para o trabalho que chamam de ‘‘batalha’’. Grande parte delas (91,8%) e deles (81,9%) gostaria de parar com os programas se tivesse chance de aprender uma profissão.
‘‘Essas informações vão ser repassadas à Fundação de Ação Social, que promove cursos profissionalizantes e poderia dar uma grande ajuda’’, informa Reis. Aprender outra atividade seria um meio até de combater o preconceito que prostitutas e travestis sofrem, principalmente por parte de policiais e da própria família, conforme atesta o levantamento.
A maior parte das mulheres (80,74%) e travestis (68,75%) que ‘‘batalham’’ (80,74%) se assume como católica. Mas há evangélicos entre elas (6,08%) e eles (7,50%), ainda que em minoria. Apenas 12,6% das prostitutas não têm filhos. A maioria delas (83,2%) só se sustenta com a prostituição, a exemplo dos travestis (88,2%).
Segundo Toni Reis, a pesquisa vai ajudar na elaboração de programas que estimulem prostitutas e travestis a denunciar a violência que sofrem no cotidiano da profissão. ‘‘Também devemos lutar para que a prostituição seja legalizada’’, anuncia.



Estado civil dos clientes


Idade dos clientes


Grau de instrução de prostitutas


Grau de instrução de clientes


Idade do início na prostituição

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