Grupo Tigre suspende investigações em Maringá
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de julho de 1998
Marccio W. Varella 
O Grupo Tigre (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especiais) abandonou as investigações em Maringá, sobre o desaparecimento do médico Francisco de Assis Coimbra Júnior e retornou ontem a Curitiba. A saída do Grupo Tigre do caso foi anunciada ontem pelo delegado-chefe da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, Aprígio Cardoso. Três delegados, comandados pelo adjunto Roberto Fernandes, e mais dez investigadores, todos da Polícia Civil de Maringá, continuam investigando o caso do médico de 38 anos, que desapareceu há dez dias sem deixar qualquer pista.
O delegado Cardoso disse que a polícia vai concentrar suas investigações, a partir de agora, nas pessoas próximas do médico: familiares, amigos, colegas de profissão e credores. Cardoso admitiu que a polícia, no início das investigações, teve bastante dificuldade em obter informações dos parentes e amigos.
Aos poucos, porém, as pessoas foram liberando as informações sobre os defeitos do médico. Não queremos informações sobre suas virtudes, coisa que muitas familiares e amigos insistem em afirmar. Queremos saber de seus deslizes, comuns ao ser humano. É através dos erros cometidos por ele que chegaremos ao médico, vivo, com certeza, frisou.
As hipóteses de sequestro, roubo, assalto e arrebatamento (para tratar de marginal foragido) foram descartadas pela Polícia Civil e pelo Tigre. Um delegado e três investigadores do Tigre, especializados em informações, chegaram domingo passado a Maringá, a pedido de Cardoso, para ajudar na obtenção de pistas de um suposto sequestro.
Junto com soldados da PM, o Tigre revirou a cidade, procurou em canaviais, valetas, galpões abandonados, entrevistou suspeitos de tráfico de drogas, checou todas as fichas dos pacientes atendidos por Coimbra Júnior, interrogou todos os seus credores. A hipótese mais provável do desaparecimento é vingança, disse o delegado Cardoso.
O cardiologista e neurocirurgião Coimbra Júnior desapareceu às 8h30 do último dia 22, na Avenida Independência, Zona 4 de Maringá, em frente à clínica de sua propriedade. Ele foi visto pela última vez conversando com um homem de cabelos curtos que usava terno.


