ORTIGUEIRA - A Polícia de Ortigueira (110 quilômetros ao sul de Apucarana) não tinha pistas, até ontem à tarde, do paradeiro do ex-prefeito de Mauá da Serra, Inácio Mendes Filho, e do irmão dele, Isaías José Santana. Eles estão com a prisão preventiva decretada, acusados da morte do funcionário da Assembléia Legislativa do Paraná, Rogério de Macedo Postarek, 37 anos. O crime aconteceu anteontem de manhã, num reflorestamento de pinus do ex-prefeito.
O delegado de Ortigueira, Valter Helmut, disse que não havia qualquer novidade sobre o caso. O Grupo Tigre, da Polícia Civil, foi mobilizado para ajudar nas investigações. ‘‘Nos pediram apoio tático e informaram que era para investigar a morte de um funcionário da Assembléia Legislativa’’, informou um membro do grupo. Segundo informações do Grupo Tigre, o crime não teria conotação política. Seria apenas um ‘‘acerto de contas’’.
Segundo este raciocínio, Inácio teria uma dívida com Rogério Postarek, o que provocou desentendimento entre os dois. Uma mulher, que trabalhava no local do crime, ouviu os tiros e identificou o ex-prefeito e o irmão dele como autores.
Na Assembléia Legislativa, anteontem à tarde, as informações eram que Postarek havia viajado para fazer serviços particulares em Nova Londrina. Porém, extra-oficialmente, ele, juntamente com outros dois homens, viajou na terça-feira à noite para cobrar uma dívida em Ortigueira. O assunto despertou muitos comentários ontem entre funcionários da Assembléia, em Curitiba.
Na casa de Mendes, em Mauá da Serra, uma mulher identificada como Sílvia informou que ninguém da família se encontrava na região para comentar o crime. Ela disse não saber para onde a mulher e os filhos do ex-prefeito viajaram.
Um parente de Mendes, que não quis se identificar temendo represálias, disse que houve tentativa de sequestro do ex-prefeito. Segundo o parente, Postarek, juntamente com outros dois homens, foi buscá-lo anteontem em Mauá da Serra. ‘‘Quebraram o nariz do meu irmão. Em Ortigueira, um conhecido disse que fizeram ameaças a ele antes dos tiros. A polícia precisa investigar o quê faziam os outros homens’’, comentou.
Ainda segundo o parente da família, um advogado foi mobilizado para tratar do caso. Ele garante que o ex-prefeito vinha sofrendo ameaças nas últimas semanas, mas que escondeu este fato da família. ‘‘Na terça-feira à noite um advogado de São Paulo ligou para meu irmão, fazendo ameaças.’

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