Grupo tenta alertar a sociedade sobre problema
Mauricio Della Barba
De Londrina
Alertar a sociedade quanto ao crescimento da violência doméstica é o objetivo do Grupo de Estudos de Londrina, criado há cerca de um ano, e formado por representantes do Conselho Tutelar, Secretaria da Saúde, Secretaria Especial da Mulher, Secretaria da Ação Social, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Associação Médica de Londrina.
O Grupo está organizando as atividades para 2000 e prevê a realização de duas grandes jornadas, ainda sem data marcada, nos próximos meses. Nossa primeira tarefa será a de sensibilizar a comunidade sobre a questão. A violência dentro de casa traz inúmeros outros problemas para a sociedade, diz o coordenador do grupo e diretor do Pronto Atendimento Infantil (PAI), o pediatra Jonilson Favareto.
Em Londrina, não existe um levantamento específico sobre o número de casos de crianças e mulheres que sofrem violência dentro de casa. O controle dos casos é difícil pois o atendimento ainda é precário e sem organização. Nossa intenção é orientar as pessoas para que busquem ajuda nos casos de violência doméstica, informa Favareto. Mesmo assim, o pediatra acredita na ocorrência de três casos em média por semana em Londrina.
No Brasil apenas Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro contam com estatísticas fiéis mostrando o número de crianças vítimas de violência. Nestes Estados, 75% dos casos de traumas em crianças são oriundos da violência que sofreram dentro de suas casas.
Além das crianças, as mulheres também são vítimas da violência doméstica. É uma humilhação e um constrangimento para as esposas que apanham de seus maridos. A ofensa acaba com a auto-estima da pessoa que, com medo, sofre sozinha o problema, explica Mari Nilza Ferrari de Barros, professora do Departamento de Psicologia Social e Institucional da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que desenvolve um projeto de extensão sobre a violência doméstica desde 1998.
Junto com outras três estagiárias do curso de Psicologia, Mari Nilza realiza um atendimento, totalmente gratuito, a mulheres e crianças que enfrentam situações de violência doméstica. Os encontros acontecem uma vez por semana na própria UEL. Em grupo, com outras pessoas que sofrem o mesmo problemas, fica mais fácil para a mulher se abrir. Elas precisam ser ouvidas e compreendidas, salienta a docente. As pessoas interessadas em participar podem entrar em contato, até 29 de fevereiro, das 14 às 18 horas, com a professora Mari Nilza, pelos telefones (43) 371-4492/371-4487.
Por outro lado, a delegada Josane Caldardo atua num segmento em que as vítimas não são as crianças e os adolescentes. Pelo contrário, são os adolescentes os agressores dentro do ambiente familiar.
Segundo Josane, passam pela Delegacia da Juventude de três a quatro casos por semana de adolescentes que agridem os pais, predominando a classe média. Isto está relacionado à dependência da droga. É uma violência familiar gerada pelas drogas, um problema que afeta mais a classe média.





