Grupo sem-terra entra em Mitacoré
Os sem-terra que estavam acampados em uma das margens da BR-277 e em uma área de preservação ambiental da usina de Itaipu, próximo a Fazenda Mitacoré, entre São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, no Extremo Oeste do Estado, entraram anteontem à noite na área da fazenda. No sábado, o Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem Terra (MST) fechou o cadastramento de novas famílias. Segundo o líder do movimento, Atalíbio Menzel, cerca de 450 famílias estão na área.
Apesar de garantir na sexta-feira que não havia intenção de entrar na área da fazenda, no sábado à noite os sem-terra cortaram a cerca da fazenda e iniciaram o trabalho de roçada em uma área de aproximadamente 300 metros quadrados. Segundo a administração da fazenda, os sem-terra improvisaram um campo de futebol na área. Os guardas da fazenda estão reforçando a segurança no local para evitar que a área invadida se estenda.
Os seguranças não estão se aproximando da área ocupada para evitar confronto. Não sabemos quais são as intenções dos invasores, afirma um comunidado da administração da fazenda. A intenção de entrar na fazenda já havia sido anunciada pela coordenação estadual do MST.
A Fazenda Mitacoré, cujo controle acionário é da Bamerindus S.A., Participações e Empreendimentos, holding do Bamerindus, está sob intervenção do Banco Central. A fazenda recebeu vários prêmios internacionais pela sua produção agrícola. Temos necessidade de plantar e as famílias não vão aguentar ficar por muito tempo nas margens da rodovia, afirmou Rogério Mauro, membro da coordenação estadual do MST.
Ainda hoje, a administração da fazenda deve comunicar o interventor de patrimônio do Banco Bamerindus, Flávio de Souza Siqueira. A direção interventora já pediu que a administração da fazenda evite confronto armado entre os seguranças e sem-terra.
Ontem à tarde, a Folha tentou localizar o líder do movimento. No entanto, segundo funcionários, ele não estava no local. Uma barreira montada pelos sem-terra está impedindo a entrada de pessoas que não fazem parte do acampamento.Antônio França
Ney de SouzaO acampamentoSegundo o MST, cerca de 450 famílias estão na áreaFoz do Iguaçu





