Londrina - O Grupo Atalla, responsável pela Usina Central do Paraná (UCP) de Porecatu (85 km ao norte de Londrina) e proprietário de diversas fazendas que produzem cana de açúcar no norte do Estado, assumiu o compromisso de recuperar as áreas degradadas pela exploração de álcool. Um representante do grupo assinou o termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público (MP) estadual e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), numa reunião realizada ontem da sede do MP em Londrina.
Ao todo, 5,7 mil hectares espalhados em propriedades nos municípios de Pore-catu, Centenário do Sul, Bela Vista do Paraíso e Jagua-pitã estão incluídos num programa de recuperação florestal numa ação que pode levar até 18 anos.
De acordo com o promotor Robertson Fonseca de Azevedo, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, só em Porecatu há 96 propriedades vinculadas ao grupo. Por meio do termo, ficará determinado que a usina e as fazendas administradas pelo grupo deverão implantar um amplo projeto ambiental para preservar e recuperar a fauna e flora nativas. "O MP por meio de suas comarcas vai fiscalizar todo esse procedimento", disse.

Acompanhamento
O trabalho será acompanhado por técnicos do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que, durante todo o período de trabalho de recuperação das áreas, vai indicar melhores estratégias de manejo.
O termo prevê ações como o isolamento de áreas de preservação permanente, a recuperação florestal de regiões devastadas e a substituição de trechos de floresta que têm eucaliptos por espécies nativas.
O responsável por ações ambientais do Grupo Atalla, Antonio Bozicovich, acredita que o investimento para colocar em prática todo o programa deve ficar em torno de R$ 25 milhões.
"Esse plano abrange, além de recuperação florestal, a da fauna, que é algo que pretendemos viabilizar num segundo momento. Será feito um levantamento detalhado da situação de cada propriedade", disse.
Questionado sobre a possível dificuldade que o grupo possa vir a ter em concretizar todo o programa por conta dos inúmeros processos que a UCP tem enfrentado desde o final do ano passado, Bozicovich disse que o grupo precisará "repensar suas prioridades". A UCP foi autuada pelo MP do Trabalho por supostas irregularidades cometidas contra seus funcionários.
"Estamos num momento muito difícil e temos que conseguir conciliar o lado empresarial, social e ambiental. São três desafios que nós teremos que resolver", enfatizou.

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