Grupo sai em defesa do aterro do Igapó
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de setembro de 1998
Lúcio Horta 
A discussão de uma atividade extraclasse do curso de arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL) - cujo tema é Paisagem - despertou nos alunos e professores a idéia de promover uma grande manifestação em favor da transformação do aterro do Igapó 2, na zona sul de Londrina. Eles defendem que a área seja transformada em parque ecológico e não objeto de exploração da iniciativa privada, como prevê projeto do Executivo aprovado na Câmara Municipal.
Rapidamente, a idéia evoluiu, conquistou novos setores da universidade e também da comunidade externa, e já tem até data marcada: será no dia 2 de outubro, na própria área do aterro. Ontem, cerca de 30 pessoas - professores e alunos de cursos como arquitetura, engenharia civil, música, química, agronomia, geografia, educação física, psicologia, entre outros -, estiveram reunidos para planejar as atividades. Lideranças da comunidade e alunos da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon) também estavam presentes.
Entre as atividades programadas para o dia 2, segundo a professora Ângela Canabrava Buchmann, da disciplina de planejamento urbano e regional do Departamento de Arquitetura da UEL, estão o plantio de cinco mil mudas de árvores nas margens do Ribeirão Cambezinho, que passa ao lado do aterro; oficinas de pipa; aulas de aeróbica; cama elástica; apresentação dos alunos de música; aulas de yoga etc. Também no dia 2, pela manhã, será apresentada a palestra Do paisagismo local ao paisagismo regional, no Clube de Engenharia.
Mario CesarGrupo reunido ontem
programou
uma
manifestação
para o
dia 2 de
outubro:
contra
projeto
do ExecutivoAlém de planejar as atividades do dia 2, o grupo reunido ontem na UEL também discutiu a polêmica proposta de doação da área do aterro do Igapó. Todos foram unânimes em condenar o projeto do Executivo e se mostraram preocupados com o destino da área. Diversas propostas surgiram durante o encontro, como incentivar a comunidade a expressar a insatisfação com a proposta através da imprensa, enviando cartas criticando o projeto; o agendamento de uma audiência com o prefeito Antonio Belinati para discutir o problema; entrar na Justiça contra a doação, já que se trata de área de fundo de vale e por isso é objeto de preservação ambiental; e até a ocupação da área, sugerindo que, se a prefeitura quer doar a área para alguém, então que se doe para a própria comunidade.
No final, ficou decidido que o grupo só vai definir por uma ou outra proposta depois da conclusão de um trabalho, elaborado por uma comissão multidisciplinar da UEL, para avaliar o aterro e definir tecnicamente se aquela área é fundo de vale e quais são as possibilidades que podem ser feitas no local. O trabalho - que terá como coordenador o professor Efrain Rodrigues, do Centro Ciências Agrárias (CCA) - será realizado a pedido da promotora do Meio Ambiente, Maria Lúcia Reichenbach, que enviou ofício esta semana ao reitor da UEL. Além da UEL, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) também está realizando o trabalho e deve concluí-lo na semana que vem.
Ângela Buchmann adiantou que na próxima quarta-feira, a partir das 11 horas, uma nova reunião será realizada no departamento de Arquitetura da UEL para tratar da manifestação do dia 2. A professora destaca que a reunião está aberta a qualquer pessoa da comunidade que esteja disposta a colaborar com o evento.


