Grupo rouba carro-forte e foge de avião
Lúcio Flávio Moura
Enviado a Florestópolis
Um grupo armado com pelo menos oito homens encapuzados assaltou na manhã de ontem um carro-forte da empresa de transporte de valores TGV, na PR-170, no município de Florestópolis (73 km ao norte de Londrina).
A ação rendeu à quadrilha cerca de R$ 250 mil, dinheiro que seria levado até a agência do Banestado de Porecatu para pagamento de salário de parte dos funcionários da Usina Central do Paraná. Eles fugiram em um avião bimotor, que pousou e decolou rapidamente em uma pista da Fazenda São Franscisco, a quatro quilômetros do local do assalto.
Policiais, testemunhas e, principalmente, os quatro funcionários da TGV que estavam no carro blindado, ficaram impressionados com a organização, preparo e sintonia dos assaltantes, que não feriram ninguém e levaram pouco mais de 15 minutos para fazer o assalto e fugir.
O piloto da aeronave (prefixo PT-LVT, de Brasília), com registro em Atibaia, município da região leste do Estado de São Paulo, foi preso em Americana, na região metropolitana de Campinas.
Ele foi identificado como Uel Leite de Souza, 52 anos, um traficante internacional de armas procurado pela Polícia Federal, que reside no Conjunto Castelo Branco, em Cambé, e trabalha no Aeroporto de Atibaia, destino original da viagem.
Souza foi preso depois de fazer um pouso forçado no aeroclube de Americana. De acordo com a Polícia Civil, o Paper Navajo 310 deu pane elétrica quando sobrevoava Piracicaba, distante 40 km de Americana. Por rádio, a quadrilha teria se comunicado com alguns comparsas.
Considerada por eles tranquila e segura para uma operação de emergência, a pista do aeroclube de Americana foi palco de outra fuga cinematográfica. Dois carros, ainda não localizados, levaram os oito homens, saindo em alta velocidade. O piloto perdeu tempo para sair da aeronave e foi alcançado pelos policiais. Souza usava quatro carteiras de identidade falsas. Todas com grande número de passagens policiais, a maioria por envolvimento com tráfico de drogas. Seu depoimento está marcado para a manhã de hoje.
A Folha apurou que a polícia de Americana estava investigando há meses o uso da pista por criminosos, por isso agiu rapidamente depois do contato de um funcionário que testemunhou a cena.
O delegado Cláudio Eduardo Nogueira Navarro, de Americana, fará uma investigação conjunta com o delegado regional Márcio Vinícius Ferreira Amaro, de Porecatu. Ambos concordam que a quadrilha é, possivelmente, composta por assaltantes dos dois Estados.
Pelas evidências, a tese da polícia pode estar correta. O avião usado na fuga teria monitorado a movimentação do carro-forte, conforme revelaram à Folha funcionários da Fazenda São Franscisco, que se assustaram com a baixa altitude do vôo do bimotor minutos antes do assalto, ocorrido às 9h20.
Os dois caminhões-caçamba usados na ação têm procedências diferentes. Um é de Santo André, o outro de Loanda (noroeste do Paraná), ambos roubados. O veículo da cidade paranaense foi interceptado na madrugada na mesma PR-170, próximo ao trevo para Jaguapitã pelo veículo paulista. O caminhoneiro Celso Boni, de 57 anos, residente em Cambé, foi rendido, amarrado, enrolado em um cobertor e colocado na cabine. Ele permaneceu por seis horas nesta posição até ser libertado pelos vigilantes do carro-forte, logo após o assalto. O caminhoneiro ainda teve R$ 2,3 mil roubados.
Outra evidência que ação foi idealizada por paulistas com assessoria de paranaenses e a execução feita pelas duas partes, é a procedência da Silverado (cujos registros são de Guarulhos) e a maneira como ela chegou até o local do assalto. Os homens encapuzados apontando fuzis, interromperam o trânsito na rodovia até que a caminhonete chegasse. Em poucos minutos, o veículo chegou na pista da fazenda transportando o grupo que já estava pronto para a fuga.Quadrilha usou vários carros e impressionou pela organização; piloto foi preso em Americana (SP) depois de um pouso forçado
Fotos Josoé de CarvalhoPELO ARA pista de pouso fica a quatro quilômetros do local do assalto; no detalhe, o carro-forte baleado





