O traficante e contrabandista Gilberto Monteiro, 37 anos, foi resgatado ontem à tarde por uma dupla armada numa clínica médica de Londrina. Ele estava acompanhado por dois policiais militares e um motorista da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), onde cumpre pena desde 4 de junho de 99. O presidiário iria se consultar com o dermatologista Hélio Celestino da Silva que nem chegou a vê-lo. ‘‘Aproveitei o atraso dele para ir a uma farmácia perto do consultório. Quando voltei já tinha acontecido tudo’’, disse o médico.
Segundo o soldado Zelito Souza dos Santos, o resgate foi muito rápido e não houve possibilidade de reação. Monteiro entrou no consultório da Rua Souza Naves, 861 (centro), com o braço direito algemado ao cinto porque perdeu o esquerdo num acidente automobilístico ocorrido há alguns anos durante uma fuga policial.
Santos disse que a abordagem aconteceu no momento em que eles entraram no prédio. ‘‘Eles estavam com um revólver e um pistola grudadas em nossas costas. Diziam que queriam apenas o Gilberto e que ninguém seria ferido. Mesmo assim, não paravam de nos cutucar com o cano das armas’’, explicou o soldado que também ficou sem o revólver.
De acordo com o dermatologista, Monteiro tem alergia de contato no pulso direito e estava sendo tratado desde janeiro. ‘‘Foi a segunda vez que ele veio aqui. Não imaginava que isso pudesse acontecer porque ele era bem recomendado. De agora em diante não pretendo receber outros presidiários aqui’’, frisou. A secretária Rosilene dos Santos disse que ficou apavorada com a possibilidade de alguém reagir. Segundo ela, na sala de espera havia alguns pacientes que foram fechados num outro cômodo junto com os policiais.
O tenente Hilberaldi Correia de Lima informou que em casos como este a Polícia Militar instaura uma sindicância interna para apurar as circunstâncias do fato e se houver indícios de participação dos policiais é aberto um inquérito.
Monteiro é um criminoso conhecido da Polícia Federal de Londrina. Passou a década de 80 envolvido no contrabando de uísque e depois no tráfico de drogas. Por conta desses delitos, ele responde a vários processos, inclusive em Curitiba. Conforme o diretor da PEL, Raimundo Hiroshi Kitanishi, ele está condenado a 25 anos de prisão por tráfico de entorpecentes e até o começo da noite de ontem ainda não havia sido localizado.

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