Não era nenhuma Discovery, mas o lançamento foi perfeito e atraiu a atenção dos moradores de Rolândia (25 quilômetros a oeste de Londrina). Assim foi o lançamento, no último sábado à tarde, do ‘‘segundo estágio’’ do foguete Experimental 8, produzido pelo Grupo de Foguetes Experimentais (GFE) de Londrina. O grupo, que existe há 10 anos e conta com 14 participantes, entre estudantes do segundo grau e universitários, tem por objetivo desenvolver nos alunos o interesse pela pesquisa científica, aliando a prática, os conhecimentos teóricos desenvolvidos nas disciplinas de física, química e matemática.
Fernando Stancato, coordenador do GFE, explicou que o Experimental 8 é um foguete que está sendo desenvolvido pelos alunos para operar em dois estágios. Ou seja, depois de pronto, ele deverá subir até determinado ponto, impulsionado por um motor, e, em seguida, a primeira fase se desprende e o foguete continua subindo, desta vez impulsionado por um segundo motor. Se tudo der certo, ambas as partes do foguete, após atingir a altitude esperada, acabarão voltando à Terra inteiros, por meio de pára-quedas. Em Rolândia, o segundo estágio subiu cerca de 300 metros a uma velocidade de aproximadamente 270 quilômetros por hora. A expectativa do grupo é que até dezembro os dois estágios sejam testados juntos.
O grupo também foi incentivado pela participação no final de julho e começo de outubro do ‘‘Festival des Clubs Espace’’, um evento internacional sobre foguetes experimentais que ocorreu na cidade de Bourges, na França, e organizado pela Agência Espacial Francesa. Lá, em um estande próprio, eles mostraram outro foguete, o ‘‘Brasilis’’, além do motor desenvolvido pelo próprio grupo.
Na França, o Brasilis também foi lançado e teve um desempenho perfeito, alcançando 1,5 mil metros de altitude, uma das maiores em relação aos outros foguetes lançados durante o evento. Por conta disso, o grupo acabou ganhando um dos quatro prêmios oferecidos pela organização do evento. No total, foram cerca de 35 participantes. ‘‘Foi uma coisa que a gente não esperava. A nossa idéia era mais poder participar, trocar experiências. Ganhar foi uma surpresa’’, disse Fernando Stancato - que é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (SP).
A ótima participação no Festival des Clubs Espace já garantiu ao GFE um novo convite, para o encontro do ano que vem, desta vez com estadia e alimentação garantidas pela organização. O grupo pretende, a partir de agora conseguir em Londrina um patrocínio para bancar as passagens aéreas. Para o próximo ano, eles pretendem mostrar não só o Brasilis, aprimorado, como também um outro projeto ainda em fase de desenvolvimento pelos alunos do 1º ano do curso de engenharia elétrica da UEL: um foguete especial munido de câmara fotográfica e sensor de rotação.Mario CesarImpulsãoGrupo com um dos ‘‘estágios’’, que subiu cerca de 300 metros a uma velocidade de 270 quilômetros por horaLúcio Horta

mockup