Grupo pesquisa as crianças dekasseguis
Érika Pelegrino
De Londrina
Em tempos de globalização, um grupo de educadores japoneses está preocupado com a educação de milhares de crianças num mundo sem fronteiras. No Japão, atualmente, são cerca de 70 mil crianças, filhas de mais de 200 mil dekasseguis que saem do Brasil para ganhar dinheiro naquele país.
Deste contingente, Hiromi Ehara, professora adjunta do departamento de Direito da Universidade Teikyo, estima que cerca de 35 mil frequentam as escolas públicas do Japão. Estas crianças enfrentam as dificuldades de terem que se adaptar a uma cultura distante e assimilar os conhecimentos específicos deste país.
Hiromi explica que embora existam muitas crianças brasileiras nas escolas japonesas, o conhecimento transmitido é específico sobre o Japão, sem uma atenção para o aluno brasileiro que, aos poucos, vai perdendo a sua identidade cultural para assimilar a do país onde se encontra.
A perda de identidade é apenas um dos problemas enfrentados por estes alunos. Segundo Hiromi, a criança brasileira enfrenta diversas dificuldades nas escolas do Japão, como a língua, acompanhar os estudos, problemas comportamentais por não entenderem o que a professora pede e, consequentemente, de relacionamento. A criança se sente excluída e maltratada por ser brasileira e não entender a língua, afirma Hiromi.
Ao chegar no Brasil, a readaptação para esta criança que rompeu com sua cultura, muitas vezes, também é problemática, segundo a professora. O grupo de docentes de universidades do Japão Yokuo Murata, Fumio Nakagawa, Hisatoshi Tajima, Hiromi Ehara, Mami Nishii e Chikako Yamawaki estão há duas semanas no Brasil entrevistando famílias que estiveram no Japão para conhecer as dificuldades enfrentadas por seus filhos na volta ao Brasil.
A partir da coleta destes dados, segundo Hiromi, o grupo de educadores pretende apontar algumas sugestões de como as escolas japonesas e brasileiras podem ajudar estes alunos. As escolas japonesas poderiam acrescentar conhecimentos sobre a cultura brasileira e sobre a língua portuguesa, por exemplo, afirma.
Quanto às escolas brasileiras, uma sugestão seria o acompanhamento psicológico da criança que está retornando ao Brasil. Nossa preocupação é educar crianças com uma nova perspectiva. Pensamos na criança internacionalizada, afirma Hiromi.
O grupo fica no Brasil durante mais três semanas e irá fazer entrevistas em várias cidades brasileiras. Nossa preocupação não é com um trabalho quantitativo, mas qualitativo, afirma Fumio Nakagawa. Deverão ser entrevistadas pouco menos de 100 famílias. O resultado do trabalho será apresentado em março do próximo ano ao governo japonês. Amanhã, o grupo irá ministrar palestra ao grupo da 3ª Idade do Serviço Social do Comércio (Sesc) de Londrina.Professores japoneses estão no Brasil estudando como a escola pode ajudar na adaptação dos estrangeiros
Mario CesarMario CesarDIFÍCIL ADAPTAÇÃOOs professores Murata, Nakagawa, Ehara e Nishii (acima) vão pesquisar 100 famílias de dekasseguis. Ao lado, os professores com a família Wada: Criança internacionalizada





