Revoltado com as constantes agressões sofridas por seu filho, um pai uniu-se a três amigos e, ontem de manhã, a cavalo, tentou fazer justiça com as próprias mãos. A confusão aconteceu no Jardim Bandeirantes, na zona oeste de Londrina.
Os agressores foram perseguidos pelo pai, José Camargo de Souza, e por outros cavaleiros. Eles tiveram que correr muito para não serem pegos, esconderam-se em uma casa e só saíram quando a polícia chegou. O delegado do 3º Distrito Policial, Jurandir Gonçalves André, precisou intervir para que os agressores não apanhassem de relho. Os cavaleiros montavam cavalos de diversas raças e trabalham como tratadores na Hípica de Londrina.
E.L.C., 16 anos, e C.M., 17 anos, afirmaram com orgulho que eram capoeiristas e que foram provocados. ‘‘A gente reage quando é provocado. Estes dois (os meninos agredidos) nos afrontaram perguntado se queríamos apanhar deles’’, afirmou E.L.C. Os dois não quiseram revelar o nome da academia onde praticam capoeira.
As vítimas são dois meninos de 12 anos que estudam no Colégio Estadual Kazuko Ohara, também no jardim Bandeirantes. Eles falaram que há mais de um mês - quando saíam da escola e voltavam para casa - se encontravam com os capoeristas e apanhavam deles. ‘‘Davam pernadas, tapas no rosto e soco e ainda riam da nossa cara. Eu tinha vontade de reagir mas eles eram bem mais fortes do que a gente’’, contou uma das vítimas.
‘‘Resolvi dar uma basta. Não aguentei mais ver meu filho e o amigo apanharem. Saí pelo Bandeirantes (bairro) a procurar estes marmanjões covardes. Reuni amigos e a cavalo fomos ao encontro destes bandidinhos’’, contou José Camargo de Souza. Ele afirmou que casualmente chegou bem na hora, quando mais uma vez o seu filho iria apanhar dos capoeristas. José Camargo disse que não tinha intenção de bater em ninguém, mas apenas dar um susto nos agressores dos meninos.
‘‘Imagine a surpresa que causamos quando chegamos montados a cavalo. Eles (os capoeristas) nem deixaram a gente falar e saíram correndo. A polícia deveria também usar cavalos para perseguir bandidos’’, comentou.
Todos os envolvidos foram levados para o 2º Distrito Policial (DP). Os capoeristas ainda tremiam muito quando conversavam com o delegado Jurandir Gonçalves. Na frente do 2º DP se reuniram mais de 50 adolescentes e crianças, estudantes do Kazuo Ohara, para prestarem solidariedade aos colegas agredidos.
Muitos deles chegaram a passear pela rua nos cavalos que ficaram por um tempo amarrados em frente ao Distrito Policial. Os menores foram entregues às famílias que se comprometeram a levar os filhos ao juiz Dimas Ortêncio de Melo, da Vara da Infância e Juventude. José de Camargo e os outros cavaleiros foram liberados.

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