Grupo pede prisão de acusado por assédio
Emerson Cervi
De Curitiba
Um grupo de 25 moradores da região do Sítio Cercado, em Curitiba, fez ontem uma passeata para pedir a prisão ou internamento em um sanatório de Gilmar Procmann, 32 anos, que mora no bairro. Procmann foi preso em flagrante no dia 23 de junho por assediar pelo telefone crianças entre 6 e 8 anos da região. Apesar do flagrante, ele foi enquadrado no artigo 65 da Lei de Contravenções Penais por perturbação do sossego. Como este crime é afiançável, Procmann ficou apenas 48 horas preso.
A dona de casa Maria Adélia da Cruz, 51 anos, uma das denunciantes do maníaco, participou da passeata. Desde que ele voltou para o bairro nós perdemos a tranquilidade, disse. Adélia denunciou ao grupo Tigre, da Polícia Civil, o assédio que sua filha de 8 anos vinha sofrendo de Procmann desde abril. Ele ligava para casa várias vezes por dia, oferecia presentes e marcava encontros próximo à escola para entregar os prêmios. Policiais gravaram alguns desses telefonemas e conseguiram prender o maníaco em flagrante. Na delegacia, Procmann confessou que telefonava para crianças do bairro, oferecia doces e marcava encontros com os menores.
O delegado do Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas), da Polícia Civil, Harry Herbert, disse ontem que a polícia seguiu determinações legais ao libertar o acusado. Mesmo com o flagrante, ele foi preso por perturbação do sossego e a lei diz que este crime é afiançável, se nós mantivéssemos o acusado na cadeia, cometeríamos crime de abuso de autoridade, afirmou. A população tem que entender que nós cumprimos leis, não as fazemos. Procmann está respondendo ao inquérito em liberdade. A pena prevista para perturbação do sossego varia de 15 dias ao máximo de dois meses de prisão.
Assim que Procmann foi preso, Herbert convocou testemunhas do sequestro de Kely Cristina, para fazer o reconhecimento dele. Como se tratava de assédio de crianças, sabíamos que ele poderia ser um sequestrador em potencial, mas o reconhecimento foi negativo. Kely Cristina foi sequestrada no município de Pinhais há três anos.
A passeata das mães e crianças começou em frente à Igreja Parigot de Souza, no Sítio Cercado, e seguiu até a casa onde Procmann mora com a mãe. Vizinhos informaram que ele não está na casa desde a semana passada. Algumas das crianças que participaram da manifestação foram assediadas por Procmann.





