Grupo paga para se ver livre
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de julho de 1998
Áureo Nogueira 
O Edifício Solar de Van Gogh não é o único empreendimento da Encol em Londrina a provocar perdas e dor de cabeça para os compradores. Há pelo menos outros 10 casos. Entre eles, existem situações em que os compradores encontraram fórmula de obter a escritura definitiva e romperam o vínculo com a Encol, ainda que arcando com perdas de até 50% do dinheiro já investido.
Há, também, casos em que a falta de entendimento entre os próprios condôminos dificulta uma solução. E há, até, aqueles que ainda têm a esperança de que a Encol retome as obras e cumpra o contrato, ou que o governo injete recursos financiando as construções ou suspendendo hipotecas.
Os 40 compradores de apartamentos do Edifício Mozart, cuja construção, na Avenida Madre Leônia Milito, no Parque Guanabara (zona sul), está paralisada, também estão conseguindo resolver o problema. Segundo o representante comercial Miguel Lucas, 37 anos, proprietário de um dos apartamentos, os compradores conseguiram a escritura definitiva de cada uma das 40 unidades do prédio.
A fórmula, entretanto, representou a perda de R$ 700 mil pagos à construtora e a necessidade de investir mais R$ 1,2 milhão para concluir o edifício, de 10 andares e 40 apartamentos. Tivemos que abrir mão de todo o dinheiro pago para a Encol, que seria suficiente para construir 80% da obra. A construtora fez apenas 30%, explica.
Apesar da perda e da necessidade de mais dinheiro, conseguimos a escritura e nos livramos definitivamente da Encol, diz Miguel Lucas. Ele acrescenta que, agora, os investidores têm dois caminhos para concluir a obra: ou através de financiamento, dando em garantia o própria empreendimento, ou com recursos próprios, através do sistema de condomínio.
O importante é que dispomos de condições legais para tomar a decisão que desejarmos, sem nenhum vínculo com a Encol. Melhor perder a metade do que perder tudo.


