Curitiba - Um terreno de cerca de 200 mil metros quadrados, no bairro do Campo Comprido, em Curitiba, foi invadido por um grupo de 1,5 mil pessoas na última sexta-feira. O movimento ganhou força esta semana. As pessoas montaram acampamentos numa área de preservação ambiental - que aguardava apenas as liberações ambientais para que fosse vendida para a construção de um loteamento e de um condomínio horizontal.
Segundo o presidente de uma associação de bairro do Campo Comprido, Wagner Xavier, o desejo de uma moradia acabou levando os invasores até o local. ''Há muito tempo as pessoas reclamavam nas reuniões da associação que não tinham dinheiro para pagar aluguel, que estavam em locais insalubres, que ganham pouco, que não tinham espaço para cuidar dos filhos. A área que foi ocupada nunca foi habitada, está abandonada há anos, é improdutiva. Está largada desde que o mundo é mundo.''
A integrante do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Luzia Stubert, foi chamada após o ínicio da ocupação para auxiliar os invasores. ''Eles foram entrando aqui aos pouquinhos. No sábado, eles resolveram pedir ajuda do movimento. São pessoas que não têm local para morar. Um foi falando para o outro e todos vieram para cá. É tudo gente simples'', disse ela. Luzia reclama que o dono da área nunca apareceu. Ela nem sabe quem é.
O advogado da empresa Triunfaz, proprietária do terreno, Luiz Fernando Dietrich, entrou ontem com um pedido de reintegração de posse da área. Ele já havia conseguido um mandado de manutenção de posse - que não foi aceito pela Polícia Militar (PM) porque a área já estava invadida. ''Essa área nunca foi invadida antes. Vamos fazer lá um grande loteamento. Só não saiu ainda porque precisamos das licenças ambientais'', disse ele. Dietrich acusa políticos de estarem incentivando as invasões em Curitiba. ''Se você for lá, vai perceber que a maioria está com carros. Eles chegam lá e dizem que estão cansados de pagar aluguel e querem ter casa própria. Estão destruindo as áreas de preservação ambiental. Queimando tudo. Retirando as árvores'', acusou ele.
Essa não é a primeira área de invasão em Curitiba. Durante o Carnaval, três terrenos no bairro Santa Quitéria foram invadidos por 900 pessoas. Dois de construtoras falidas e um da Copel - por onde passa linhas de alta tensão. O Departamento de Fiscalização da Secretaria Municipal de Urbanismo informou que os bairros mais visados para invasão são Santa Quitéria, Fazendinha, Novo Mundo e Capão Raso. A orientação da Prefeitura de Curitiba é que o interessado entre na fila da Companhia de Urbanização de Curitiba (Cohab), que atende prioritariamente famílias com renda de até três salários mínimos.
De acordo com a prefeitura, foram regularizadas 28 vilas que beneficiaram 1,6 mil famílias na gestão Beto Richa (PSDB).

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