Um grupo de 25 famílias de sem-terra ocupou na madrugada de ontem a Fazenda Santa Maria, em Primeiro de Maio (61 quilômetros ao norte de Londrina). Conhecida também como ‘‘Fazenda do Fuganti’’, a propriedade tem 91,88 alqueires e está localizada no distrito de Vila Gandhi, à margem da estrada que liga a cidade a Bela Vista do Paraíso.
Segundo um funcionário do escritório do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em Londrina, as famílias invasoras estavam acampadas na Fazenda Ingá, em Alvorada do Sul, no grande acampamento que reúne cerca de 800 famílias de sem-terra de várias regiões do Estado. Ele também informou que a propriedade está sob litígio judicial. Nenhum dirigente do MST foi encontrado ontem para dar mais detalhes.
Com a invasão, o MST quebra um acordo firmado em março entre o movimento e a Sociedade Rural do Paraná, que previa um pacto de ‘‘não-invasão’’ em propriedades rurais de 28 municípios da região Norte do Paraná, até 30 de julho. A Sociedade Rural desativaria o sistema de Patrulha Rural - fiscalização com empresas de segurança - e o Incra se comprometia em assentar duas mil pessoas.
Em Primeiro de Maio, a invasão gerou comentários de que 250 famílias iriam ocupar a fazenda nos próximos dias. O número é considerado um exagero pelo MST e Polícia Militar.
Ontem à tarde, a Polícia Militar esteve no local. Segundo o tenete Josmar Francisco Moreira, a pretensão dos sem-terra é assentar na área cerca de 70 famílias. Ele disse que os invasores não mexeram na área cultivada. Funcionários da Emater local disseram que a Fazenda Santa Maria é produtiva e tem arrendatários que plantam milho, trigo e café.
Segundo a Emater, a propriedade já pertence ao Banestado, que colocou a fazenda para leilão em maio, por causa de dívidas, mas não houve compradores. No edital do banco, constava que o imóvel é explorado por parceiros agrícolas com contrato até agosto deste ano.
Segundo a PM, na última quinta-feira o Banestado fechou negócio com Usiel de Castro Júnior, de Maringá, na venda da fazenda. ‘‘Um dos líderes da invasão, identificado como Barranco, nos disse que vão aguardar uma resposta do governo do Estado para ver se ficam na fazenda ou se serão assentados em outro local’’, informou.
Temor Preocupado com a invasão, o arrendatário Vivaldo Aparecido Basa Clávelo, 39 anos, não sabe o que vai acontecer. Ele teme que os sem-terra acabem com as culturas já plantadas. ‘‘Nós dependemos do campo para sobreviver como eles. Não podemos deixar que outras pessoas acabem com a nossa vida de uma hora para outra’’, comenta.
Clávelo arrendou a área, junto com outras duas famílias, há mais de 10 anos, a convite dos fazendeiros José Nogueira de Azevedo, Arlindo Fuganti e um terceiro sócio da área.
‘‘Arrendamos honestamente e não exploramos ninguém para conseguir o que temos. Na minha área tenho milho plantado com espigas formadas ou em formação. Até agosto eu tenho colheita garantida se eles não destruírem antes o milharal’’, ressalta.
No entanto, não soube informar como ficará a sua situação e dos demais arrendatários, com esta ocupação. Clávelo espera que os sem-terra não apelem para a violência.
‘‘Sou de paz. Não quero confusão. Os sem-terra têm que ter consciência que o nosso trabalho é honesto e dependemos da terra como eles. Eles têm que respeitar as nossas plantações como a casa de qualquer pessoa.’’

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