Grupo leva terapia diferente a pacientes do Instituto do Câncer
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quinta-feira, 22 de maio de 1997
Edmara Michetti 
Marcos BorgesXô tristezaForam poucos minutos em cada quarto, mas suficientes para fazer os pacientes esquecerem da dorSorria porque rir é o melhor remédio. Com essa receita o grupo Terapia do Riso expulsa um pouco da tristeza que ronda hospitais, asilos e sanatórios por todo o País. Ontem o grupo medicou os doentes do Instituto de Câncer de Londrina (ICL). E, em geral, obteve bons resultados, apesar dos poucos minutos em cada quarto.
Entre tímidos sorrisos conseguidos de muitos, a Doutora do Riso, o Palhaço, o Piu-Piu e o Gato do Riso, fizeram alguns escancararem uma bela risada. Não foi difícil conseguir isso da paciente Maria Lúcia Henrique, 52 anos, em tratamento há um ano.
A permanência no hospital por mais de uma semana, longe da família que ficou em Quinta do Sol), não são suficientes para cerrar os lábios de Maria Lúcia. A senhora está toda sorridente..., disse a Doutora do Riso. É o jeito. Se a gente se entregar à tristeza morre mais depressa, respondeu sem titubear. Na opinião de José Picon Sobradiel, 65 anos, as brincadeiras do grupo aliviam até a dor.
Natural de Belo Horizonte, onde surgiu há quatro anos, o grupo Terapia do Riso tem hoje 46 integrantes. Divididos em vários grupos menores, eles percorrem várias instituições simultaneamente. O grupo que está em Londrina, e hoje deve levar a alegria aos doentes do Hospital Universitário (HU), é da filial de Maringá que com 12 pessoas faz toda a região Sul.
A Doutora do Riso é Cristiane Loureiro, 22 anos, vinda de uma experiência no teatro. O ex-pintor José Maria Cardoso, 23, se transforma em Palhaço do Riso. Sem a fantasia amarela, o Piu-Piu do Riso é o ex-operador de máquinas, Ailton Aparecido dos Santos, 24. A ex-balconista Zoraide Vieira da Silva, 19, a mais descontraída do grupo, se apresenta como o Gato do Riso.
O grupo alega que a recompensa por esse trabalho, que é voluntário, está na satisfação pessoal proporcionada. Quebrar a angústia e a tristeza nesses lugares é satisfação pura, diz Cristiane. Para sobreviver, o grupo vende poesias pelas ruas a preços definidos pelos interessados. Em Londrina, o grupo teve que enfrentar uma barreira.
Não sei se por ingenuidade ou azar, mas paramos em frente à Comurb (Companhia Municipal de Urbanização) e tivemos o material apreendido por falta de autorização da Prefeitura. Não sabíamos dessa lei, lamenta Cristiane.


