Marcos BorgesXô tristezaForam poucos minutos em cada quarto, mas suficientes para fazer os pacientes esquecerem da dor‘‘Sorria porque rir é o melhor remédio.’’ Com essa receita o grupo Terapia do Riso expulsa um pouco da tristeza que ronda hospitais, asilos e sanatórios por todo o País. Ontem o grupo medicou os doentes do Instituto de Câncer de Londrina (ICL). E, em geral, obteve bons resultados, apesar dos poucos minutos em cada quarto.
Entre tímidos sorrisos conseguidos de muitos, a Doutora do Riso, o Palhaço, o Piu-Piu e o Gato do Riso, fizeram alguns escancararem uma bela risada. Não foi difícil conseguir isso da paciente Maria Lúcia Henrique, 52 anos, em tratamento há um ano.
A permanência no hospital por mais de uma semana, longe da família que ficou em Quinta do Sol), não são suficientes para cerrar os lábios de Maria Lúcia. ‘‘A senhora está toda sorridente...’’, disse a Doutora do Riso. ‘‘É o jeito. Se a gente se entregar à tristeza morre mais depressa’’, respondeu sem titubear. Na opinião de José Picon Sobradiel, 65 anos, as brincadeiras do grupo ‘‘aliviam até a dor’’.
Natural de Belo Horizonte, onde surgiu há quatro anos, o grupo Terapia do Riso tem hoje 46 integrantes. Divididos em vários grupos menores, eles percorrem várias instituições simultaneamente. O grupo que está em Londrina, e hoje deve levar a alegria aos doentes do Hospital Universitário (HU), é da filial de Maringá que com 12 pessoas faz toda a região Sul.
A Doutora do Riso é Cristiane Loureiro, 22 anos, vinda de uma experiência no teatro. O ex-pintor José Maria Cardoso, 23, se transforma em Palhaço do Riso. Sem a fantasia amarela, o Piu-Piu do Riso é o ex-operador de máquinas, Ailton Aparecido dos Santos, 24. A ex-balconista Zoraide Vieira da Silva, 19, a mais descontraída do grupo, se apresenta como o Gato do Riso.
O grupo alega que a recompensa por esse trabalho, que é voluntário, está na satisfação pessoal proporcionada. ‘‘Quebrar a angústia e a tristeza nesses lugares é satisfação pura’’, diz Cristiane. Para sobreviver, o grupo vende poesias pelas ruas a preços definidos pelos interessados. Em Londrina, o grupo teve que enfrentar uma barreira.
‘‘Não sei se por ingenuidade ou azar, mas paramos em frente à Comurb (Companhia Municipal de Urbanização) e tivemos o material apreendido por falta de autorização da Prefeitura. Não sabíamos dessa lei’’, lamenta Cristiane.

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