Um grupo de pesquisadores japoneses está entrevistando estudantes brasileiros que retornaram do Japão e conhecendo o sistema de antigas escolas de imigrantes de Londrina. Os estudiosos querem saber como está sendo a readaptação de jovens que enfrentaram as dificuldades de aprendizagem em outro país. O grupo esteve ontem na redação da Folha de Londrina acompanhado da professora da Universidade Estadual de Londrina, Estela Okabayashi.
A pesquisa integra um projeto maior, iniciado em 1997, quando pesquisadores da Universidade de Tokoha (província de Shizuoka, região central do Japão) começaram a avaliar as reações dos imigrantes filhos de dekasseguis (brasileiros com ascendência nipônica que vão trabalhar no Japão) em escolas japonesas de ensino fundamental. Para a professora universitária Jandyra Maeyama, brasileira que leciona em Tokoha, além das dificuldades de se aprender em outra língua e de se enfrentar um ritmo mais intenso que o das escolas brasileiras, as diferenças culturais também atrapalharam a evolução dos estudos.
A segunda etapa começou em fevereiro deste ano, quando o professor de Filosofia da Educação na Universidade de Tokoha, Sampei Suzuki, trouxe oito universitários japoneses para conhecer o sistema de ensino brasileiro, com intenção de colher informações para desenvolver uma metodologia alternativa aos filhos de brasileiros que trabalham no Japão. Suzuki retornou esta semana para o Brasil onde fará novas entrevistas para complementar a pesquisa.
A equipe também está fazendo um levantamento sobre as escolas que receberam as crianças japonesas nas primeiras décadas de imigração. A intenção é pesquisar o sistema de ensino usado para ambientar os estrangeiros vindos para Londrina.
Segundo os pesquisadores, atualmente existem cerca de 280 mil brasileiros no Japão. Deste total, perto de 36 mil são crianças em idade escolar. ''Nossa pesquisa será encaminhada ao Ministério da Educação japonês, onde esperamos que ajude na flexibilização do sistema de ensino para estrangeiros'', concluiu a professora Jandyra. O grupo permanece no Brasil até o final deste mês.

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