Laranjeiras do Sul
O grupo de cerca de 600 sem-terra e assentados de Rio Bonito do Iguaçu, Nova Laranjeiras e Cantagalo, que ocupou anteontem a agência do Banco do Brasil de Laranjeiras do Sul (109 km a oeste de Guarapuava), continua na agência fazendo protestos e exigindo o cumprimento de uma série de reivindicações. Eles passaram toda a noite na agência.
Gerência e funcionários do banco se revezaram para acompanhar o protesto. Ontem o grupo se dividiu e ocupou também a agência do Banestado. O clima é de tensão. Os manifestantes estão armados com foices, facões e pedaços de paus. Eles bloquearam a entrada das duas agências e não permitiram que os clientes fossem atendidos.
O grupo reivindica a liberação de recursos para o custeio das lavouras, fomento e alimentação. Os assentados não aceitam que os recursos sejam liberados diretamente a eles pelo Banco do Brasil. Eles exigem que o Incra cumpra o acordo feito no início da semana. Pelo acordo, os recursos seriam liberados para a Cooperativa de Crédito Credtar, que é ligada à Cooperativa dos Trabalhadores Rurais e Reforma Agrária da Região Centro-Oeste do Paraná (Coagri).
O coordenador regional do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem terra (MST), Jaime Callegari, culpa o Incra pela situação e disse que os manifestantes só irão desocupar os bancos quando funcionários do Incra comparecerem para negociações. ‘‘Mas não adianta vir qualquer um, queremos gente com poder de decisão. O Incra está tentando desestabilizar a Coagri, que é uma das maiores cooperativas ligadas ao MST no País’’, afirmou.
O gerente geral do Banco do Brasil em Laranjeiras do Sul, Cesar Poletto, disse que os recursos para alimentação e fomento das 900 famílias assentadas recentemente em Rio Bonito do Iguaçu já estariam liberados. ‘‘O repasse poderia ser feito assim que a agência fosse desocupada’’.
Os recursos exigidos são de R$ 2.170,00 por família. A agência do Banestado foi ocupada por cerca de 250 manifestantes. Eles acuaram o gerente Gerson Luis Simião, pego de surpresa, assim como os funcionários e clientes da agência, que ficaram assustados com a ação do MST.
O gerente recebeu do grupo um pauta com reivindicações. Eles exigem a liberação de R$ 300 mil do governo do Estado para suprir as despesas que a Coagri teria tido com a reconstrução de assentamentos em Nova Laranjerias destruidos por um vendaval, aprovação de projetos para aquisição de insumos e apoio do governo para agilizar ações relacionados ao Incra. A Polícia Militar acompanhou a manifestação e não houve incidentes.
A superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, foi procurada durante toda a tarde de ontem, mas não localizada.

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