Grupo invade delegacia e liberta presos
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de outubro de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
Três homens armados com revólveres calibre 38 e uma pistola 9 milímetros invadiram na noite de anteontem a Delegacia de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. A invasão ocorreu horas depois de os policiais suspenderem a greve e retornarem às atividades normais. Segundo o investigador Paulo Roberto Neo Sao Marcos, que estava de plantão, a mulher de um dos presos foi levar comida na delegacia por volta das 21h15. Quando ele abriu a porta, foi rendido e levado até a carceragem. Eles queriam apenas três presos. Tive que abrir as celas e libertá-los, contou o investigador.
Os presos libertados foram José Costa Portes (20 anos), Ezequiel Francisco dos Santos (26 anos) e Josequiel dos Santos Silva (19 anos), acusados de serem os responsáveis pela invasão e libertação de dez presos da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos em Curitiba, no dia 2 de junho. Eles foram presos em Itaperuçu (região metropolitana) no último dia 19, depois de aplicarem um golpe na cidade e tentarem assaltar um comerciante. Os três foram transferidos para Rio Branco do Sul porque a delegacia de Itaperuçu não tinha segurança suficiente. O delegado Sebastião Gaspar, titular de Rio Branco do Sul, já havia solicitado a remoção urgente dos detentos para Curitiba.
Junto com os presos resgatados, fugiram Mateus Rodrigues de Oliveira (acusado de furto) e Antonio Carlos Machado Afornali (acusado de homicídio). No momento da fuga tinham na delegacia 12 presos. A cadeia local tem quatro celas, cada uma com capacidade máxima para duas pessoas. O investigador era o único policial de plantão na delegacia. Nada teve a ver com a greve dos policiais civis. O plantão normal é de um investigador mesmo. Estava sozinho, declarou ele.
Ontem, a reportagem da Folha fez uma ronda pelas delegacias e distritos de Curitiba. Todas tinham voltado às atividades normais e estavam registrando os boletins de ocorrência atrasados. O presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol), Luis Bordenowski, disse que a paralisação das atividades na quinta-feira e na sexta-feira atingiram seus objetivos e que hoje, às 14h30, os policiais civis apenas irão formalizar a decisão de suspender a greve numa assembléia geral agendada na Sociedade Vasco da Gama. O fim da paralisação foi decidido pela categoria no último sábado. Os policiais civis voltaram às atividades com a promessa de que o governo vai estudar as reivindicações salariais reclamadas. O Sinclapol quer a extensão a todos os policiais civis de um abono por dedicação exclusiva à função (exigida por lei). Hoje, apenas 400 dos 3,6 mil policiais recebem essa gratificação, porque conseguiram decisões favoráveis da Justiça. Isso representa um salário 120% maior para o grupo favorecido.


