Grupo inter-religioso debate diferenças
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domingo, 06 de janeiro de 2008
Giancarlo Franquini<br> Especial para a Folha 
Maringá - Um movimento incomum se formou há alguns meses em Maringá e tem chamado a atenção pela sua diversidade. Membros das mais diversas religiões existentes na cidade se uniram e criaram o Grupo de Diálogo Inter-Religioso. O grupo vem realizando encontros bimestrais e no mês passado esteve reunido para uma oração de paz. A cerimônia foi realizado no Templo Budista de Maringá e a próxima acontecerá em um terreiro de Candomblé.
Participaram do grupo o arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti, pastor Robert Stephen Newnum, da Comunidade Evangélica; sheik Mohmed Elgasim Abbaker-Al Ruheidy, da Comunidade Mulçumana; monge Eduardo Ryoho Sasaki, da Comunidade Budista; Maria de Lourdes Nascimento (Yalorixá Sandia), do Candomblé; Geraldo Martins de Paiva, Umbanda, e a professora doutora Mahasti Macedo, da Comunidade Bahá'is.
Durante o último encontro, todos falaram da importância dessa união e como os diálogos têm feito com que eles se conheçam melhor e possam quebrar antigos preconceitos. Para o arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti, esses encontros abriram novas perspectivas para todos e tem encurtado a distância entre as religiões. Ele acredita que o grupo é único no Estado.
''Ao conhecermos melhor cada religião, podemos ver que muitos ensinamentos são parecidos e nos fazem ter um outro olhar sobre tudo. Essa aproximação é importante também para unir a sociedade, uma vez que somos referências dentro de nossa comunidade'', explicou.
Ele lembrou que o grupo começou apenas com a participação dos católicos e evangélicos, mas esse ano, houve uma grande união. Segundo ele, os diálogos entre todos têm evoluído e essas visitas, como aconteceu no Templo Budista, são importantes para diminuir os preconceitos.
Já o sheik Mohmed Elgasim Abbaker-Al Ruheidy disse que esse tipo de união entre pessoas das mais diferentes religiões é o que está faltando no mundo. ''Se tivéssemos mais encontros como esse, de forma verdadeira, teríamos mais paz no mundo''. Na opinião dele, esses encontros devem servir de exemplo para outras pessoas, porque é começando com pequenas ações que se pode conseguir grandes avanços no futuro. ''Estou animado com as reuniões e também com as conversas que temos fora das reuniões. O contato tem sido contínuo'', explicou.
Já o monge budista Eduardo Ryoho Sasaki argumentou que ao mesmo tempo que os encontros são importantes, eles também exigem uma grande responsabilidade, porque todos são líderes em suas comunidades e visto como exemplos. ''Esses encontros são desafios, porque estão unindo a religião ocidental, oriental e africana'', observou.
Ele ressaltou que, de forma geral, as religiões ocidentais são diversas, mas acreditam em um único Deus. No caso das orientais e africanas, isso muda e esse diálogo entre todos será o grande desafio. ''O ponto positivo é que todos queremos o bem para as pessoas'', acentuou.
Ao final do encontro, todos se mostraram animados para dar continuidade ao grupo em 2008. Eles acreditam que será possível realizar grandes avanços e unir ainda mais a comunidade.


