Carlos Almeida


Dia-a-diaPlantação de feijão e tomate no assentamento e o líder Sérgio Lourenço Araújo (acima); armazém de feijão construído pelos assentados e casa com antena parabólica





Partidos e organizações políticas à parte, há 11 anos, um grupo de 20 famílias sem-terra resolveu se unir e dar um passo de independência. Desvinculadas de qualquer movimento, investigaram sobre terras que seriam desapropriadas na região de Wenceslau Braz (117 km ao sul de Jacarezinho), optaram por uma delas, armaram seus barracos de lona e, sem arredar o pé, ficaram ali durante dois anos. Hoje, o Assentamento Santa Madalena é exemplo no Estado, pela diversificação de culturas e união do grupo.
‘‘Praticamente criamos graus de parentesco entre todas as famílias, genros, noras, compadres etc’’, comenta o líder do assentamento, Sérgio Lourenço Araújo, 41 anos. Ele conta que, no dia 27 em fevereiro de 1987, descobriram os 534 hectares que compõem a Fazenda Santa Madalena através de um mapa de terras improdutivas do Movimento de Reforma Agrária do Norte do Paraná.
‘‘Já fazia quatro anos que procurávamos terra. O cansaço era tanto que decidimos que a primeira fazenda que fosse desapropriada nós entraríamos’’. A Fazenda Santa Madalena está situada em meio a uma colina, tem o solo arenoso e no início, segundo Araújo, era ‘‘puro mato’’. ‘‘Várias pessoas nos desanimaram dizendo que aqui não se produziria nada, nem mandioca. O próprio técnico da Emater, após fazer uma análise do solo, nos disse que se ficássemos aqui, dentro de 10 anos conseguiríamos somente comprar uma TV preta e branca’’, contou.
‘‘Hoje, a maioria das famílias tem TV em cores, antena parabólica e carro próprio’’, informa Araújo. A opção de renda foi diversificar as culturas e investir em produtos que se adaptassem com o tipo de solo. Segundo Araújo, o primeiro sustento do grupo foi através de uma safra comunitária.
Com a primeira verba cedida pelo Programa Especial de Crédito para Reforma Agrária (Procera) eles adquiriram materiais para a construção das casas. O dinheiro não foi suficiente. Então, o grupo resolveu tirar madeira da reserva nativa da fazenda. ‘‘Fomos processados pelo Incra e ficamos sem receber recursos durante três anos’’, recorda. Novamente o grupo de uniu para se sustentar e conseguiu inclusive comprar o primeiro trator, numa sociedade de 11 pessoas.
Terminado o processo, todas as famílias receberam, ao mesmo tempo, verbas do Procera.‘‘Imagine todo mundo querendo plantar ao mesmo tempo, com um apenas um trator. O jeito foi trabalhar em lotes pequenos para beneficiar todo mundo’’, comentou o assentado Luiz Cassiano da Silva, 37 anos. Atualmente cada quatro famílias possuem um trator.

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