Grupo incendeia ônibus na Zona Sul
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de abril de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Um ônibus de transporte coletivo que fazia o último horário da linha 210 - União da Vitória foi incendiado na madrugada de ontem por seis homens, cinco deles armados. Depois de sequestrarem o veículo com o motorista e dois passageiros no Jardim União da Vitória (Zona Sul de Londrina), eles obrigaram o condutor a levar o carro para a Rodovia José Carlos da Rocha Loures, próximo ao Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), onde atearam fogo. Não houve feridos. No local, os responsáveis pelo incêndio deixaram panfletos impressos em folha de sulfite pedindo o fim da ''opressão carcerária'' no CDR. Para a polícia, trata-se de um ato isolado de vandalismo.
De acordo com Rodolfo Marinho, gerente da empresa Londrisul, que opera a linha 210, o ônibus foi tomado por volta da meia-noite, quando os dois últimos passageiros desembarcavam num ponto do bairro. Os homens teriam obrigado as duas pessoas a entrarem de volta no carro e ordenado ao motorista para que seguisse em direção ao CDR. No trajeto, jogaram gasolina no veículo e avisaram que colocariam fogo.
Quando chegaram nas proximidades da unidade prisional, ordenaram ao motorista e aos passageiros para que saíssem correndo e em seguida provocaram o incêndio. Conforme relato do motorista ao gerente, houve disparos de arma de fogo. ''O motorista faz a linha há bastante tempo e é muito conhecido dos passageiros. Nunca havíamos tido problemas na região'', afirmou Rodolfo, para quem a ação teve o objetivo de mostrar que se trata de um grupo organizado. O funcionário, que ficou bastante abalado, tirou o dia de folga, ontem, e seria colocado em outra linha por período indeterminado.
O ônibus, avaliado em R$ 250 mil, ficou totalmente destruído. O veículo era novo e estava em operação há apenas quatro meses. A condução era adaptada para receber usuários de cadeiras de rodas.
Para o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), o incêndio é considerado um ato isolado de vandalismo e será tratado como dano ao patrimônio público. ''O CDR está tranquilo e com nova sistemática de trabalho, que permite aos presos do semi-aberto saírem com portarias'', relatou. Segundo ele, integrantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) visitaram o CDR recentemente e tmbém não relataram problemas.
O inquérito será conduzido pelo delegado operacional Lanevilton Teodoro Moreira. ''O objetivo é que haja agilidade na condução das investigações. Vamos tratar como prioridade'', disse.
O porta-voz da Polícia Militar (PM) em Londrina, tenente Ricardo Eguedis, reforçou que a ocorrência está sendo tratada como vandalismo. ''Não afastamos a hipótese de que os responsáveis sejam moradores do próprio bairro'', afirmou. Ele esclareceu que o serviço reservado da PM está trabalhando na região e que a corporação fará um trbalho diferenciado na região, com mais abordagens.
Assaltos
De acordo com Gildamo Mendonça, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Londrina (Metrolon), a quantidade de assaltos enfrentados pelos ônibus caiu drasticamente depois da implantação do sistema de bilhetagem eletrônica. Apedrajamentos também diminuíram. ''O maior problema enfrentado são os meninos que ainda insistem em pegar carona nos carros, apesar do risco'', disse ele, que não quis se pronunciar sobre o incêndio do ônibus na Zona Sul.
Rodolfo Marinho, da Londrisul, confirmou que os assaltos diminuíram, mas relatou que os apedrejamentos continuam ocorrendo. ''Isso é coisa de moleque, mas causa prejuízos inclusive para a comunidade, porque os ônibus danificados ficam fora de circulação.''


