Grupo gay condena comercial de TV
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de junho de 1997
Curitiba 
O coordenador do Grupo Dignidade, Toni Reis, engrossa o coro homossexual contra o recente comercial da sandália Rider. No filme, três rapazes fogem de um bar quando o garçom, por engano, entrega a gays recados que haviam destinado a mulheres. A publicidade reforça o preconceito contra os homossexuais e é, portanto, discriminatória, ataca o ativista gay. O publicitário Marcelo Pires, criador do comercial, nega a acusação.
De acordo com Pires, da agência de propaganda W/Brasil, a reação das personagens do comercial não reflete a opinião da agência nem da empresa que produz a sandália, a Grendene. Ninguém achou ruim quando o Jô Soares interpretou o Capitão Gay e o Chico Anysio criou o Haroldo, lembra o publicitário. Agora querem implicar com um comercial do qual gays inteligentes e bem-humorados devem achar graça, pois a atitude dos rapazes é escandalosa, jamais agressiva, acrescenta.
Toni Reis adverte que a Grendene já estaria sendo processada por racismo caso o comercial mostrasse uma cena parecida com negros, judeus ou portugueses no lugar dos gays. Marcelo Pires rebate: Se fosse assim, as mulheres feias e de óculos, rejeitadas pelos rapazes, e os garçons, retratados como incompetentes, fariam protestos contra a exibição do comercial, o que não ocorreu. O caso já está no Conselho de Autoregulamentação Publicitária (Conar).
A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT), entidade da qual Reis é diretor, pediu ao Conar que o comercial fosse retirado do ar. A decisão sai no dia três de julho. Enquanto isso, a exibição continua.
No próximo sábado, Dia do Orgulho Gay, manifestantes em todo o país devem queimar sandálias Rider durante protestos contra discriminação.


