Grupo foi criado em 76 com a compra da Cotam
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de dezembro de 1997
Benê Bianchi 
Londrina
O grupo J. Marino, do qual Júlio César Marino era presidente, foi criado em 1976 com a aquisição da Cotam, em Rolândia, na época uma cooperativa com pequenas e médias torrefadoras de café. Júlio Marino já era um bem-sucedido comerciante do café, na cidade de Catanduva, interior de São Paulo, quando decidiu deixar a cidade para investir na região de Londrina.
As atividades da J. Marino cresceram muito em três décadas. Segundo matéria publicada pela Folha de Londrina em fevereiro de 95, a holding possuía 1.100 funcionários em atividades em Rolândia, Londrina, Curitiba, Catanduva (SP), Patrocínio (MG) e na capital paulista.
A J. Marino possui torrefação/distribuição de café, biscoitos e chocolates, em Rolândia; indústria de filtros de papel Itamaraty para cafés próprios e para terceiros, em Londrina; indústria de chocolates, biscoitos e torrefação de café para terceiros, em Curitiba; fazenda de cana-de-açúcar e laranja, e fabricação de recheados, em Catanduva; fazenda-modelo com 4 milhões de pés de café, em Patrocínio; e uma central de distribuição, em São Paulo.
O faturamento mensal da holding, naquela época, era de R$ 7 milhões. Todos os números são grandiosos: dois milhões de quilos de biscoitos e chocolates, 400 mil caixas de filtros de papel e mais de 800 toneladas de café produzidos por mês. Para este ano, a expectativa era de um faturamento de US$ 90 milhões, segundo informou o amigo do empresário José Caetano Perri, que o encontrou poucas horas antes do crime. Ele estava feliz com o desempenho da holding, disse Perri.
O empresário tinha uma característica conhecida pelos amigos e pessoas ligadas ao mundo dos negócios: ele tinha aversão às aventuras do mercado financeiro. Dizia que o sucesso de qualquer empreendimento passa por algumas regras, como reinvestir todo o lucro na empresa. E aconselhava: Aplicar na Bolsa para quê? Ela não é sua, você não sabe o que tem lá.


