Grupo faz exigência
para reabrir ponte
Manifestantes que bloqueiam a Ponte da Amizade exigem o abrandamento da fiscalização e a retirada do Exército
Valmir Denardin
Ney de SouzaTráfego paradoParaguaios mantêm a Ponte da Amizade bloqueada, em protesto contra megaoperação de fiscalizaçãoA delegada-substituta da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Eliane Kipgen Vieira, disse ontem à Folha que as operações de combate ao contrabando e ao tráfico de drogas e armas na fronteira entre Brasil e Paraguai vão continuar, independente do bloqueio da Ponte da Amizade, iniciado às 5h30 de sábado e que durava até às 19 horas de ontem. ‘‘Esse é um dever constitucional da Receita’’, justificou a delegada.
Para liberar a ponte, os manifestantes - um grupo de sindicalistas, pequenos comerciantes e moradores de Ciudad del Este - exigiam o compromisso das autoridades brasileiras de que haverá um abrandamento da fiscalização na fronteira, principalmente com a retirada do Exército das operações.
Essa condição faz parte de um documento divulgado no final da tarde por uma comissão binacional formada por representantes das prefeituras e Câmaras de Vereadores, empresários, sindicalistas e sacoleiros de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. Eles se reuniram na Câmara de Foz do Iguaçu.
‘‘A ponte será liberada com a desmobilização do contingente militar na operação, retornando à normalidade a fiscalização da Receita Federal, com a utilização de seus próprios agentes e de agentes da Polícia Federal’’, afirma o primeiro ponto da nota.
Segundo o documento, a atuação do Exército é ‘‘afrontosa ao povo brasileiro e principalmente à soberania paraguaia’’. O documento será enviado a autoridades brasileiras, entre elas o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o governador Jaime Lerner (PFL).
Na madrugada de sábado, poucas horas antes do bloqueio da ponte, os 400 soldados do 34º Batalhão de Infantaria Motorizado que, desde a quarta-feira da semana passada, atuavam no controle de trânsito e na segurança da megaoperação feita pela Receita e a Polícia Federal, foram recolhidos ao quartel.
‘‘Isso já estava previsto no pedido de apoio enviado pela Receita ao Ministério do Exército’’, afirmou o coronel Floriano Peixoto, comandante do batalhão.
Segundo ele, não há nenhum novo pedido desse tipo em tramitação no Ministério. Apesar de garantir a manutenção das operações, a delegada-substituta da Receita não revelou como elas serão feitas e nem se o efetivo militar será novamente empregado.
A Folha apurou que a maior parte dos 75 agentes da Polícia Federal que vieram de outras unidades para auxiliar nas operações também já foram mandados de volta.
A medida se explica porque, com o fechamento da ponte, o número de ônibus de sacoleiros que passam pela aduana brasileira e pelo posto de fiscalização da Receita Federal na BR-277, em Medianeira (65 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu), caiu a zero.
Até às 19 horas de ontem, cerca de 2 mil pessoas continuavam ocupando o lado paraguaio da ponte. Nesse horário, a comissão binacional foi até o local para tentar convencer os manifestantes a acabar com o bloqueio.

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