Curitiba Para um grupo de pessoas, unir esforços foi a solução encontrada para ter em casa produtos agrícolas orgânicos e, de preferência, por preços mais acessíveis do que aqueles ofertados em supermercados. A ponte entre o campo e a cidade ainda gerou outros ganhos. O grupo passou a comprar os alimentos cada vez mais diretamente dos produtores de orgânicos, o que gerou o fortalecimento de ambas as partes. Ficou estabelecido um círculo virtuoso, que beneficia de um lado os produtores, que comercializam sem a presença de intermediários, e o grupo, que se tornou consciente do caminho que o produto faz até chegar na sua casa e do valor da terra para a sobrevivência do homem.
Há mais de seis anos, cerca de 40 pessoas reverenciam os frutos da agricultura na Troca de Alimentos, que acontece sempre no último sábado do mês, geralmente na fase da lua crescente, com o propósito de adquirir, em grupo, verduras, frutas, legumes, cerais, mel e melado orgânicos. O encontro é realizado em dois endereços de Curitiba, no bairro do Bom Retiro, sempre com a participação de 20 pessoas em cada endereço, que contribuem com R$ 30,00. Cada cota é destinada à compra de uma mercadoria, o que rende uma boa variedade de produtos na feira que vai para casa. A idéia é que todos os participantes contribuam na compra de cada item.
''Além de ficar mais barato para todos, se cria uma relação com os produtores, que vão se tornando não só colaboradores, mas amigos mesmo. Passamos a conhecer o caminho do alimento até nosso prato. É um consumo consciente'', explica uma das organizadoras da Troca da Casa Encantada, a estudante equatoriana Paulina Lasso, 22 anos. Foi ela quem começou a fazer contato com produtores do Vale do Ribeira, em Itaperuçu. ''Mas agora já existem outros. E a proposta é essa mesmo. Queremos criar uma corrente do bem em busca de melhores alimentos para nós e podemos fazer isso, valorizando os pequenos produtores'', explica ela, dizendo que em algumas feiras de orgânicos o grupo chega a receber doações dos produtores.
Depois de comprados e coletados, os alimentos são dispostos numa bela mandala, de onde saem 20 raios, pertencentes a cada participante. Num grande círculo em torno da mandala, todos agradecem pelos alimentos conseguidos. ''Cada produto teve uma história para chegar até aqui. Então cada pessoa que fez a compra relata como a fez. Saber a origem valoriza ainda mais os alimentos e melhora a nossa qualidade de vida e a do produtor'', destaca outra organizadora, a turismóloga Monalisa Sukrorski, 23 anos, acrescentando que ainda são sugeridas receitas e dicas de como usar melhor os alimentos.
''Estamos priorizando a participação de todos na compra, para que possam ter a experiência de ir à feira ou firmar parcerias com os produtores'', diz Monalisa, explicando que a Troca de Alimentos segue o ciclos naturais e o calendário maia, que tem 28 dias por mês. (F.G.)

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