Grupo faz caminhada contra a obesidade
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quarta-feira, 09 de maio de 2007
Adriana Ito<BR>Reportagem Local 
Cambé - Pela primeira vez em 17 anos, a dona-de-casa Vera Lúcia Lima do Nascimento conseguiu dormir deitada. O sufocamento que sentia em decorrência da obesidade sumiu depois que ela começou a participar de um programa da Unidade de Saúde da Família (USF) do seu bairro, no Jardim Ana Rosa, em Cambé. Através das atividades do grupo, a dona de casa conseguiu perder seis quilos em um mês. ''Antes eu só cochilava. Agora deito e só acordo no dia seguinte. Meu marido gostou. Também fiquei mais disposta, não tomo mais remédio para pressão. Me sinto muito mais feliz'', revela.
O que a levou a perder tanto peso em tão pouco tempo não é nenhum remédio, tratamento ou dieta milagrosa, mas simplesmente reeducação alimentar e prática de atividade física, como costuma ser recomendado a todos os que desejam emagrecer. Porém, o que fez a diferença em seu caso e no de dezenas de mulheres que integram o Grupo de Caminhada para Obesos foi a força de vontade, aliada ao acompanhamento profissional e o trabalho em grupo. ''Gosto muito de massas, torresmo com mandioca, carne gorda. Agora eu só como pão integral, muita fruta e bastante salada. Quando dá fome entre as refeições eu tomo um suco, como uma fruta e passa. Tem vez que dá água na boca pra comer outras coisas, mas eu digo não, porque é pela minha saúde'', conta Vera.
Iniciado em novembro do ano passado com apenas seis integrantes, o grupo tem hoje 83 mulheres cadastradas, inclusive de outros bairros. Destas, 34 frequentam regularmente. As participantes realizam caminhadas com duração de uma hora três vezes por semana, sempre acompanhadas pela médica Josiane Pasello. Também são realizados acompanhamento psicológico e monitoração constante das condições de saúde de cada uma. As mulheres ainda dão depoimentos e são aplaudidas por suas conquistas.
''A obesidade sempre foi uma doença difícil de se tratar, porque demanda também uma alteração no comportamento, a pessoa precisa entrar em uma vida nova'', explica Josiane, que é idealizadora do grupo. A médica relata que hipertensão arterial, diabetes, dores articulares, depressão, varizes e doenças cardiovasculares são alguns dos problemas decorrentes da obesidade e cujos sintomas têm sido amenizados com o programa. ''É importante realizar este trabalho agora, enquanto elas ainda podem manter uma vida ativa. Caso contrário, elas podem perder a autonomia com o passar do tempo'', justifica.
Segundo a secretária de Saúde de Cambé, Meiri Cristina Sakuma Nakagawa, desenvolver atividades de prevenção é uma das atribuições das equipes de saúde da família. ''A demanda pelo atendimento à saúde é grande e não pára de crescer. Então apenas ampliar a oferta de consultas e medicamentos não é suficiente. Trabalhando com a prevenção, contribuímos para melhorar a qualidade de vida das pessoas, o que reduz essa demanda, facilitando o acesso para quem realmente necessita'', analisa, acrescentando que a secretaria vem buscando ampliar as iniciativas que apresentam bons resultados e implementá-las em outros setores.


