Grupo ensaia Paixão de Cristo
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domingo, 01 de março de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Há 29 anos o auditor da Receita Federal aposentado Israel Jaime Reis tem compromisso certo nas tardes de domingo depois do Carnaval. Ele é um dos mais antigos atores amadores do Grupo Lanteri, grupo de teatro que representa há 31 anos a Paixão de Cristo em Curitiba. Nos fins de semana antes da Sexta-Feira Santa as cerca de 800 pessoas que participam da encenação participam dos ensaios do espetáculo no Colégio Bagozzi.
''É um espetáculo democrático. Tem todo tipo de pessoa, de evangélico a judeu, de criança pequena a idosos'', conta o diretor de produção do Lanteri, Edson Luis Martins. Outra particularidade do evento é a grande participação de novatos. ''Dos 800 atores, cerca de 300 são calouros, ou seja, participam da apresentação pela primeira vez'', diz.
A atriz Eliceia Dalpra é uma das estreantes. ''Resolvi participar porque é uma maneira diferente de ver o espetáculo'', conta. Ela diz que se surpreendeu com a liberdade dentro do grupo. ''Eles são muito abertos'', elogia.
Para ser parte do espetáculo, basta ter disposição, vontade e participar dos ensaios. ''A maior dificuldade é fazê-los superar a timidez'', explica o diretor-geral da peça, Aparecido Isabel Massi. ''É uma peça de grandes proporções. Tudo tem que ser exagerado, estrondoso, senão acaba massacrado pela Pedreira'', detalha.
Massi diz que os novatos são uma grande força por trás do espetáculo. ''Eles são muito empolgados, envolvidos. Há uma entrega muito grande'', explica. O trabalho com os atores começa com jogos e brincadeiras ''para enturmar''. ''Mas já começamos a trabalhar alguns elementos de cena porque é muito pouco tempo para montar o espetáculo'', conta.
A preparação da encenação é cheia de particularidades. Nos fins de semanas que antecedem a apresentação as cenas são ensaiadas separadamente. ''Há cenas com mais de 20 atores envolvidos'', conta Martins. O espetáculo completo só passa por ensaio geral no domingo antes da Sexta-Feira Santa.
Já uma das principais cenas da apresentação não é ensaiada: a crucificação. ''É tudo feito pela primeira vez na encenação para o público'', revela Martins. ''É uma cena perigosa porque a posição da pessoa na cruz causa asfixia. O ator tem que ser tirado da cruz em, no máximo, 20 minutos. E sai de lá bastante debilitado'', diz.
Durante os ensaios, a equipe técnica do grupo escolhe quem irá ficar com os papéis principais. ''Dificilmente uma pessoa repete o personagem de um ano para outro'', conta o despachante de cargas, Antonio Marcos Baulhout, que já viveu dos sacerdotes responsáveis pela condenação de Jesus Cristo por cinco anos seguidos. Baulhout está no Lanteri há 12 anos e há oito anos contracena com a filha, Larissa.


