Grupo é composto por aventureiros da fé
Gente simples, com profissões e estilos de vida diversos. O que leva pessoas tão diferentes a buscar um mesmo caminho? A resposta é simples. A busca pelo eu. A descoberta de si mesmo. Um encontro com o seu interior e com a natureza.
Na correria do dia a dia, poucos têm tempo de parar. A caminhada serve para isso. Um momento de reflexão. No grupo encontramos Elza de Cássia Lamounier, 17 anos, postulante do convento das Irmãs Oblatas de São José, em Londrina.
Há um ano frequentando o convento, ela se prepara para realizar o desejo que tem desde os 13 anos: ser freira. ''A caminhada vai me fazer refletir. Espero rever minha vida e confirmar minha fé.''
Marcus Vinícius Leme Cipriano, 20 anos, seminarista há um ano em Curitiba, estava acompanhado da mãe, a dona de casa Ivone da Silva Leme, 44 anos. Filho único, ele incentiva a mãe a participar da caminhada, que para ele serve para ''se conhecer melhor''. ''Você tem a oportunidade de se interiorizar, refletir sobre a vida e perceber coisas simples que passam 'batidas' no dia-a-dia''. Para a mãe, o caminho ''é uma forma de estar mais perto do senhor''.
E há também quem caminhe pela saúde e pelo trabalho. Ayako Kanai, 67 anos, era uma das mais empolgadas do grupo. Há dois anos, percorreu 800 quilômetros do Caminho de Santiago, agradecendo as graças alcançadas. ''Aqui temos o mesmo objetivo. Agradecemos pela saúde, pela graça de estarmos vivos.''
Formada em Turismo e pós-graduada em História da Religião, em Maringá, Talita Moser, 28 anos, aproveita a caminhada para realizar um estudo da constituição turística da caminhada. ''É uma pesquisa técnica, onde avalio o potencial que a cidade oferece de interessante para o turismo religioso''. Acesso a trilhas, hospedagem e alimentação, tudo é avaliado em torno da religiosidade. ''A intenção é identificar como se dá o movimento e como o turismo cresce a partir da religião.''
Mas é o encontro com a natureza que motivou a integração de Vilma Reder, 40 anos, ao grupo. Funcionária pública federal aposentada, ela caminhava concentrada, um pouco mais afastada do grupo. Experiente em percorrer vários caminhos de fé, em toda a América Latina, ela confirma a importância do encontro com a natureza. ''A caminhada num ambiente natural enriquece o ser humano, que precisa da calma e da tranquilidade que tudo isso aqui pode trazer. Você ouviu o passarinho cantando?'', questiona à reportagem. ''Qualquer caminho feito pela fé é válido, mas temos que valorizar muito o que a natureza nos oferece. Temos muito o que aproveitar''. (M.O)





