Depois de provocar um prejuízo superior a R$ 200 mil em 18 lojas, os proprietários da loja Alto Padrão (Flávio da Silva Júnior, Glória Diana Luemberger de Moura e seu filho Paulo Luemberger de Moura) são acusados de continuar aplicando golpes, usando uma empresa falsa. Ontem, três dos 18 lesados estiveram na Procuradoria de Investigações Criminais para pressionar o Ministério Público a pedir a prisão preventiva dos supostos estelionatários. Hoje, os proprietários das lojas vão tentar marcar uma reunião com o governador Jaime Lerner para pedir maior agilidade nas investigações do caso, que se arrasta há quatro meses.
Segundo Richer de Oliveira, da WCI do Brasil, revenda de informática, Flávio, Glória e Paulo lesaram as lojas, durante o mês de abril, usando irregularmente os cheques. ‘‘Eles usavam um de pessoa jurídica com duas assinaturas. Mas ao invés dos dois responsáveis visarem, apenas um firmava, e com isso o banco sustava legalmente o cheque’’.
Agindo assim em todas as lojas, eles levaram computadores, aparelho de som e alimentos, entre outros produtos. ‘‘E provavelmente foram vendidos para fazer caixa’’, avalia Glauco Sanson da Silva, advogado de Richer.
Para não serem pegos, Flávio, Glória e Paulo montaram uma outra empresa usando o motorista e o porteiro como ‘‘laranjas’’ e transferindo os bens da Alto Padrão para esta nova empresa. ‘‘Aí começa a parte ardiloso dos estelionatários’’, diz o advogado José Claúdio Siqueira, que defende a empresa Telecon Computadores.
Glória de Moura entrou com um processo contra a empresa Alto Padrão, arrestando os bens, que somam R$ 216 mil. ‘‘Com isso, os lesados não poderiam ter acesso aos bens da Alto Padrão’’, diz Siqueira.
Depois disso, Flávio, Paulo e Glória fizeram que os dois ‘‘laranjas’’ emitissem promissórias da nova empresa, ‘‘que foram protestadas logo em seguida, fechando a possibilidade de processo contra esta empresa’’, diz Siqueira.
Quando os lesados começaram a se queixar na delegacia, Flávio, Paulo e Glória entraram com um processo na Procuradoria de Investigação Criminal (PIC), reclamando que a polícia, que iniciara as investigações, estaria tentando extorquir dinheiro deles. ‘‘Mas os três não pararam nisso e passaram a comprar pela empresa Glória, usando nomes falsos’’, diz Siqueira. Segundo a denúncia, Flávio passou a se chamar Ricardo e Paulo tornou-se Márcio, afirma Siqueira.

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