Estudantes de José da Penha (RN) poderão confeccionar cadernos, cadernetas e outros produtos com papel reciclado. Professores daquele município aprenderam ontem, em Londrina, como é a técnica de reciclagem e pretendem ensiná-la aos alunos e a outros docentes. A aula de ontem faz parte de um curso que está sendo ministrado aos professores dentro do projeto Alfabetização Solidária, do governo federal.
O projeto prevê que cada universidade ‘‘adote’’ um município do Nordeste cujo índice de analfabetismo é alto. O objetivo é, justamente, encontrar meios para reduzir o número de analfabetos. José da Penha, o município foi adotado pela Universidade Norte do Paraná (Unopar). O grupo de 22 docentes e estudantes de magistério chegou anteontem a Londrina e fica até o dia 14.
O professor Adaias Araújo Maia, de José da Penha, informa que eles desconheciam a técnica de reciclagem de papel e afirma que é possível colocar em prática nas escolas do município. ‘‘Vamos pedir apoio do prefeito para a adquirir o material, como as prensas’’, explica.
Além da reciclagem, estão previstos na programação outros cursos e palestras, como de musicalização, jogos didáticos, saúde pública e avaliação postural escolar. O grupo irá ainda realizar visitas, como na Usina do Conhecimento e no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Segundo a coordenadora do projeto, Maria de Lourdes Shimizu, todos os cursos da Unopar estão envolvidos no trabalho. Foi feito um levantamento da realidade do município - o que incluiu uma viagem para José da Penha, que fica distante 470 quilômetros da capital, Natal. O projeto tem a duração de cinco meses.
O professor Adaias informa que tudo que for aprendido em Londrina será repassado aos outros 28 professores das rede municipal e estadual que atuam em José da Penha. Ele explica que o município, de aproximadamente seis mil habitantes, possui três escolas na zona urbana (duas municipais e uma estadual) e cerca de 20 na área rural. São cerca de 1.210 alunos da rede municipal e 700 alunos da rede estadual.
O índice de analfabetismo na região Nordeste, segundo o professor, é de cerca de 40% da população. A média em José da Penha não foge à regra. Ele informa que também são grandes os problemas de evasão escolar e repetência.
José da Penha, a exemplo de vários outros municípios do Nordeste, também sofre com a seca. Este ano, afirma o professor, não caiu uma chuva intensa que viabilizasse a produção agrícola. ‘‘Estamos consumindo alimentos de outros lugares’’, explica. A economia da cidade gira em torno da agropecuária.
O professor Adaias observa que o grupo teve um ‘‘choque’’ ao chegar em Londrina, um município com características completamente diferentes de José da Penha. A começar pelo clima. ‘‘Lá, a média é de 30 graus centígrados e aqui está 15 graus’’, ressalta. Além disso, ele achou as escolas muito bonitas e bem estruturadas.Dorico da SilvaTrocaProfessores de José da Penha aprendem como fazer cadernos; técnica será repassada no Rio Grande do NorteLucilia Okamura

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