Tom Grando Jr./DivulgaçãoDiscretoMacuquinho-da-várzea se alimenta de insetos e voa pouco, preferindo andar por baixo do capim. Sua presença é percebida mais facilmente pelo cantoA descoberta da existência de uma nova espécie de ave, o ‘macuquinho-da-várzea’, no município de Quatro Barras, Região Metropolitana de Curitiba, está fazendo a comunidade científica mundial comemorar. Porém, enquanto os louros da vitória estão sendo preparados para os autores da façanha, os biólogos Marcos Bornschein, Bianca Reinert e Mauro Pichorim, surge o alerta sobre a possibilidade da extinção dessa espécie ainda esse ano. ‘‘O pássaro tem o seu habitat em uma área que vai ser totalmente inundada pelo reservatório da Barragem do Rio Iraí, construída pela Sanepar para melhorar o abastecimento de água de Curitiba’’, diz Marcos Bornschein.
Preocupados com a ameaça de extinção da espécie recém-descoberta, os biólogos resolveram procurar a Sanepar, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) para propor a criação de um projeto para preservar o ‘macuquinho-da-várzea’. ‘‘O maior problema da inundação é que ainda não encontramos em nenhum outro local um indivíduo dessa espécie, o que prejudica a avaliação dos prejuízos’’, diz a bióloga Bianca Reinert.
Albari RosaMarcos Bornschein e Bianca Reinert pedem apoio da Sanepar para evitar a extinção da espécie recém-descoberta
Os pesquisadores explicaram que esse pássaro foi visto pela primeira vez em 1997, durante observações de outra ave ameaçada de extinção, o ‘curiango do banhado’. Na época, eles estavam trabalhando com financiamento de uma instituição norte-americana, a American Bird Conservancy. ‘‘Tivemos que esperar o fim do trabalho com os americanos, para em dezembro, poder voltar a trabalhar na procura do ‘macuquinho-da várzea’’, diz Marcos Bornshein.
Na retomada, a equipe de pesquisadores se dedicou a localizar o pássaro, investindo R$ 1 mil com recursos próprios. ‘‘Sem o apoio oficial enfrentamos dificuldades para tocar a pesquisa. Uma parceria com a Sanepar, IAP e Ibama traria mais dinheiro para as pesquisas de relocação da ave’’, diz Bornshein. Ele destaca que a rapidez é fundamental para a preservação da espécie, pois toda a área começa a ser alagada no mês de outubro.

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