Grupo de vereadores pede rigor na apuração da morte de Bueno
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de março de 1997
Da Redação 
Um grupo de vereadores irá agendar uma reunião com o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Marino Ari Burille, para solicitar rigor na apuração da morte do pastor evangélico José Idalécio Bueno, 35 anos, que teria ocorrido após ser espancado por PMs. A decisão foi tomada ontem à tarde, depois que os vereadores se reuniram com o o promotor de Defesa dos Diretos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares. Ele se comprometeu a também enviar um ofício ao comandante da PM.
A morte do pastor aconteceu no último domingo, em Ibiporã. Os vereadores foram consultar o promotor sobre o que poderia ser feito para que o caso não caísse no esquecimento. O mínimo que o comandante deveria ter feito era ter mantido no quartel o sargento Levi Teófilo (principal acusado pela morte do pastor), afirma a vereadora Elza Correia (sem partido), da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
O promotor esclarece que não pode tomar nenhuma medida judicial (como, por exemplo, instaurar procedimento administrativo) porque o crime foi cometido em outra comarca. Mas ele informa que enviará um ofício ao comandante Burille para saber quais foram as medidas administrativas adotadas com relação aos policiais envolvidos no caso.
Paulo Tavares lembra que o caso, apesar de envolver policiais militares, poderá ser julgado pela Justiça comum, se o crime for caracterizado como doloso contra a vida. Ele relata que, desde agosto do ano passado, está em vigor uma alteração no Código Penal Militar e no Processo Penal Militar, permitindo que este tipo de crime, se for praticado contra um civil, seja remetido para a Justiça comum.
Na opinião do promotor, é fundamental que este episódio desencadeie um processo de reciclagem dos policiais - orientação sobre leis e acompanhamento psicológico para verificar qual o estado emocional deles e como combater o estresse, entre outros itens. Ele defende a idéia de prevenção para evitar abusos cometidos por PMs. O trabalho dos policiais é estafante, justifica.
Os vereadores decidiram também enviar nota de repúdio pelo assassinato ao governador Jaime Lerner e ao secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira. Os vereadores (Elza Correia, Salvador Francisco, Valdemir de Araújo e Sidnei de Souza) estiveram reunidos com o promotor, acompanhados de Claudemir Lopes Bozzi, do Centro de Direitos Humanos de Londrina.


