O Dia das Mães na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) é um dos mais aguardados no calendário da instituição. Na tarde de ontem, no pátio interno reservado à visitação dos familiares, os internos integrantes do Grupo de Teatro da PEL apresentaram a peça O Pastelão e a Torta, como resultado da Oficina de Máscaras, que integrou os projetos sócio-culturais do Festival Internacional de Londrina (Filo). A homenagem às mães foi o ponto alto da festa.
Ontem, na medida do possível, as visitas se reuniram num almoço e tentaram recriar a atmosfera familiar. Por todos os lados, cobertores estavam espalhados no chão, delimitando o espaço das famílias, cada qual desfrutando uma refeição especial. Várias atividades recreativas foram apresentadas e as mães presentes receberam uma pequena lembrança.
Pelo terceiro ano consecutivo, o Filo permuta experiências com os internos. A experiência proporciona a oportunidade de inserção social, de inclusão cultural e como avanço na valorização da auto-estima dos internos. A importância da Oficina de Máscaras se deve ao caráter processual em que a atividade está inserida e não propriamente no produto final, a encenação.
Esse ano, o ator e diretor Alexandre Mendes, responsável pela oficina teatral, possibilitou aos 10 internos participantes o contato com o texto da Idade Média, de autor desconhecido. O tema principal do texto adaptado é a fome. A batida do rap e o jogo da capoeira foram integrados à encenação do Grupo de Teatro da PEL. ‘‘Quantas crianças estão à procura de um pão’’, dizia o refrão inicial do rap. E foram as crianças presentes ontem no pátio da PEL que receberam com mais entusiasmo.
Mesmo com a vertente de denúncia social, O Pastelão e a Torta é uma farsa que divertiu os familiares, principalmente pela movimentação em cena. O interno Jonas Batista da Silva se destacou como o ator de intensa presença cênica.
O Dia das Mães merece atenção especial porque na situação de reclusão, a mãe é a figura mais resistente no círculo familiar. Muitas vezes, ela é a única pessoa que mantém o elo do interno com o mundo exterior. Maria Rodrigues, de 56 anos, mãe de Jonas Batista da Silva, assistiu ao filho atuar em outras duas oficinas de teatro. Moradora do Jardim União da Vitória (zona sul), todo domingo religiosamente, ela enfrenta uma longa fila para visitar o filho. Macarrão com molho caprichado e mortadela foi o cardápio de ontem. ‘‘O Jonas me deu um abraço gostoso, me disse muita coisa bonita’’, revelou com os olhos marejados, depois da visita. A apresentação da peça acrescentou mais emoção ao dia de Maria Rodrigues. ‘‘Achei lindo’’.
Ela está aguardando a transferência de Jonas para a Colônia Penal Agrícola, o que deve acontecer no prazo de cinco meses. ‘‘Eu penso nele todos os dias e faço orações para o Jonas não voltar ao erro. Eu amo meu filho. Eu sinto que ele está mudado. Quando ele sair daqui quero que continue sendo meu companheiro’’, revelou Maria Rodrigues, esperançosa de que no próximo domingo ela possa voltar e rever o filho.

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