Um grupo de famílias invadiu, anteontem à noite, um fundo de vale do conjunto Ilda Mandarino (zona norte de Londrina). Os invasores afirmam que 40 famílias participaram da ocupação, mas, ontem de manhã, havia cerca de 10 barracas de lona montadas. Eles dividiram o terreno em lotes de 10 x 20 metros, atearam fogo no mato e estavam fazendo a limpeza do local.
A história dos ocupantes é a mesma: eles moram em bairros próximos ao local invadido, alegam não ter condições de pagar aluguel e acham que o fundo de vale é apropriado para morar. Elias Moreira trabalhava como pedreiro e diz estar desempregado há um mês. Acompanhado da mulher e seis filhos, resolveu participar da invasão. ‘‘Está difícil arranjar emprego e não tenho mais condições de pagar R$ 90,00 de aluguel’’, justifica. Para piorar a situação, afirma, o imóvel onde mora está sendo colocado à venda. ‘‘Não tinha mesmo para onde ir’’.
Celso Luis Rodrigues trabalhava como bóia-fria em Goioerê, veio para Londrina há pouco tempo e está desempregado, Ele afirma que não existe coordenador no movimento. ‘‘Cada um pegou o seu lote e está se virando’’, afirma. Ele revela que os invasores estavam há algum tempo de olho no fundo de vale e, anteontem, se juntaram e resolveram levar o plano adiante. ‘‘O lugar estava cheio de mato, sem utilidade’’, observa.
Celso Rodrigues garante que não existe risco para as crianças ficarem no local. ‘‘Estamos pegando água na casa de parentes e amigos que moram aqui perto’’, conta. A comida, segundo ele, é preparada também na casa dos familiares. Ele diz que agora espera o prefeito Antonio Belinati enviar algum representante para conversar. ‘‘Queremos chegar a um entendimento’’, conta.
Esta é a segunda invasão a um fundo de vale em menos de uma semana. No dia 27, cinco famílias ocuparam um sítio da Construtora Sena, no fundo de vale do córrego Sem Dúvida, no conjunto Aquiles Stenghel (também na zona norte). Mas, no mesmo dia, foram convencidos a desistir da ocupação pela Federação das Favelas, Assentamentos e Núcleos.

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