Grupo de sem-terra ocupa prefeitura
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de dezembro de 1997
Sid Sauer 
Campo Mourão
Cerca de 200 trabalhadores rurais sem terra ocuparam ontem de manhã a Prefeitura de Nova Cantu (120 km ao sul de Campo Mourão). Eles chegaram por volta das 9 horas e cobraram uma audiência com o prefeito Martin Krupek (PDT), que estava em Curitiba. O grupo quer que o prefeito dê ajuda aos sem-terra. Estamos numa miséria tremenda, disse à Folha, por telefone, o acampado Ítalo Facini. Até o final da tarde eles continuavam esperando o prefeito.
Vamos ficar aqui até o prefeito nos atender, ressaltou Facini. Segundo ele, a decisão de ocupar a prefeitura foi uma forma de protesto contra a situação vivida pelos sem-terra no município. O grupo que ocupou a prefeitura é de pelo menos três acampamentos de Nova Cantu. O maior deles tem cerca de 250 famílias e está acampado no assentamento Santo Rey, depois de ter saído da Fazenda Rio Tonete, do grupo Slaviero, onde houve até morte.
Segundo Facini, o grupo só deixou a fazenda porque o Incra já negociou uma outra área que está sendo desapropriada. Ele não quis, no entanto, dizer onde fica o futuro assentamento. Isso eu não tenho autorização para revelar. Facini disse que os assentamentos de Nova Cantu são os mais sofridos do País porque, além de comida, faltam condições de higiene, tratamento de saúde e até água. O prefeito tem que nos ajudar, ressaltou.
De acordo com o membro do MST, a ocupação na prefeitura é pacífica, dentro da ordem e da disciplina. Só queremos ser bem atendidos, frisou Facini. Ele afirmou, porém, que se a reunião com o prefeito não tiver resultados satisfatórios, a ocupação pode continuar.
Entre as famílias que ocuparam a prefeitura, estão várias mulheres e crianças. Boa parte dos sem-terra fica do lado de fora, uma vez que o prédio é pequeno.
O assessor de imprensa da prefeitura, Gílson Mendes, disse que os sem-terra não impediram o funcionamento da prefeitura. Eles só não acreditaram na informação de que o prefeito estava em Curitiba. Segundo o assessor, alguns membros do movimento estavam com enxadas, foices e facões, mas não houve ameaça de violência. A polícia apenas passou o dia acompanhando a movimentação. Eles não fizeram nada de errado, destacou Mendes.


