Silvana Leão
A Associação dos Imigrantes do Brasil (Asibrás), Organização Não-Governamental (ONG) ligada aos direitos humanos, está preparando a volta de um grupo de 15 paranaenses que foram trabalhar no Japão e encontram-se doentes. No grupo há um londrinense vítima de tuberculose que, em função da gravidade do caso, poderá ser resgatado dentro de 15 dias.
Silvio Carlos Migubutti, que foi para o Japão há quatro anos, esteve internado durante oito meses e permaneceu alguns dias em coma profundo. A família foi informada que ele teria adquirido uma ‘‘tuberculose no cérebro’’ (leia texto nesta página). Segundo a mãe, Haydée Junko Migubutti, ele já se encontra fora de perigo e não há mais riscos de contaminação.
O presidente da Asibrás, Sérgio Morinaga, informou que a Nipomed - cooperativa de médicos de descendência japonesa, com estrutura para cadastrar e dar assistência a brasileiros que enfrentam problemas no Japão - já foi contactada para localizar Silvio e checar se ele pode ser transportado em condições normais. Em caso afirmativo, a ONG vai providenciar o retorno para os próximos dias. Ele lembrou que já existe uma passagem aérea disponível, doada no ano passado pela Construtora Sena, de Londrina, através da campanha SOS Dekassegui, promovida pela Folha em parceria com a Asibrás.
Segundo Morinaga, quando o quadro clínico é muito grave, o retorno ao Brasil fica mais difícil porque é preciso utilizar toda a primeira classe da aeronave.
A Asibrás, que foi fundada há 13 anos, vem procurando alertar os descendentes de japoneses que sonham em ganhar a vida na terra de seus antepassados sobre os perigos de agências desonestas, que divulgam um quadro muito diferente da verdadeira realidade vivida no Japão. ‘‘Recomendamos muito cuidado. O desemprego atinge atualmente 4,7% da população japonesa, numa situação nunca vista após a 2ª Guerra. A recessão atinge os próprios japoneses’’, afirma.
De acordo com Morinaga, há 250 mil brasileiros vivendo no Japão. Muitos enfrentando a forte concorrência dos chineses, que oferecem mão-de-obra 50% mais barata. Cerca de 3.500 enfrentam dificuldades de sobrevivência. ‘‘Não somos contra o agenciamento, mas que ele seja feito de maneira honesta e legal’’, afirma. O representante da Asibrás no Paraná, Jurandir Rosa, ressalta que o norte é a região do Estado que possui o maior número de dekasseguis vivendo em estado de calamidade. Muitos, segundo ele, vão para lá iludidos, sem emprego e moradia definidos.
Existe um inquérito aberto pela Polícia Federal para apurar denúncias de aliciamento de trabalhadores para fins de emigração. A investigação foi pedida pelo Ministério Público, baseada no artigo 206 do Código Penal Brasileiro (‘‘É proibido induzir, seduzir e enganar brasileiros para fins de emigração’’). Atualmente encontra-se com pedido de prazo, já que a investigação da polícia não conseguiu esclarecer as denúncias no tempo previsto.
Segundo algumas agências de Londrina que organizam viagens e oferecem empregos no Japão, a procura por parte dos brasileiros diminuiu, ao mesmo tempo em que os japoneses tornaram-se mais seletivos na contratação de dekasseguis. ‘‘Hoje eles estão dando preferência para as mulheres’’, informa Thomas Nonomura, da Tokio Tour. Ele lembra que até uns anos atrás era mais fácil para os dekasseguis juntar dinheiro porque se trabalhava mais.Todos são paranaenses e estão em dificuldades financeiras. O londrinese Silvio Migubutti está com tuberculose
Josoé de CarvalhoSaudadeHaydée Migubutti, com a neta Amanda, mostra foto de Silvio, que viajou para o Japão há 4 anos e contraiu um tipo raro de tuberculose: internação e risco de vida no outro lado do mundo

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