Grupo dava golpe em desempregados
A Delegacia de Crimes contra Economia e Defesa do Consumidor (Delcon) prendeu ontem quatro pessoas que estavam forçando a venda de planos de saúde como garantia de emprego. Para serem contratados, eles eram obrigados a comercializar alguns planos, antes de se efetivar. Muitos deles desembolsaram dinheiro de seu próprio bolso para cumprir a meta de venda. Na média, a polícia calcula que cada vendedor perdeu R$ 400,00.
O delegado Fauze Salmen diz que Eurípedes Marques, Silmara Marques Cordeiro, Cristiane Loreno e Fernando Luiz de Melo, donos da Nitpar Representações, estão sendo acusados de estelionato e formação de quadrilha. Ele conta que os quatros anunciavam em um jornal prometendo emprego de vendedor na Safe Card. Na hora da seleção, cada entrevistado preenchia uma ficha, em que declarava a profissão de parentes e o salário familiar. Depois, a gente era chamado com a proposta de emprego, mas com a condição de vender um plano, conta Márcia Rodrigues dos Santos, 24 anos.
Márcia acrescenta que depois de vender o primeiro plano, os pretendentes tinham que comercializar mais quatro. Com vontade de ser contratado, vendia-se para parentes ou desembolsava o valor, conta ela, que perdeu R$ 630,00. Márcia foi uma das poucas efetivadas pela empresas, ao invés de receber R$ 300,00, vales-transporte e refeições prometidos, recebia comissão pela venda de outras pessoas que queriam o emprego.
Fomos treinados para enganar outros pretendentes, recebendo R$ 5,00 de cada plano vendido, afirma. Ela conta que por dia passavam entre três a quatro pessoas interessadas no emprego. Em média, duas delas vendiam um dos três planos da Safe Card, que variavam de R$ 75,00 a R$ 325,00.
O delegado Fauze Salmen diz que agora investiga se o plano realmete funcionava. Metade do valor arrecadado foi depositado na conta de Eurípedes Marques, sócio da Safe Card, conta. A polícia pediu o bloqueio da conta dos diretores, como forma de ressarcir os vendedores.





