Grupo da Fazenda Refúgio se organiza
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quinta-feira, 21 de março de 2002
Emerson Dias Reportagem Local 
Os ex-garimpeiros do Lixão de Londrina que atualmente trabalham no projeto de reciclagem de lixo realizado na Fazenda Refúgio, região sul da cidade, estão conseguindo garantir uma renda mensal de até R$ 500,00. O grupo, que até o final do ano passado criticava o pouco dinheiro que conseguia com a venda do material recolhido, teme agora a transferência deles para outro local, prevista para os próximos 60 dias.
Passados nove meses desde a retirada dos 22 catadores que viviam no Lixão, os recicladores finalmente conseguiram organizar melhor o trabalho e chegam a reunir até 30 fardos de material reciclável (papel e plástico) por semana. Há seis meses, o grupo se revoltou com a pouca quantidade de lixo que chegava à fazenda. Na época, segundo o catador Maurício Dias, normalmente apenas um caminhão despejava diariamente material para ser separado. Com isso, a renda do pessoal caiu quase pela metade. Estamos tirando em média R$ 180,00 por mês e no lixão chegávamos a tirar R$ 300,00, disse o catador. Os catadores de lixo chegaram a impetrar um mandado de segurança para garantir o direito de trabalhar no lixão, mas tiveram o pedido negado pelo juiz da 2ª Vara Cível, Luís Sérgio Swiech, em outubro do ano passado.
Atualmente, o aumento no número de descarregamentos e a redução na equipe de 22 para 10 pessoas ampliaram consideravelmente o ganho do pessoal. Antes era bastante ruim, mas agora não há o que reclamar. Chego a ganhar até R$ 500,00 por mês trabalhando aqui, afirmou o Edson Isaías da Silva, que passou 22 anos garimpando no Lixão. Na reportagem realizada pela Folha no ano passado, ele era um maiores insatisfeitos com a proposta apresentada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Como os 12 recicladores que saíram da fazenda montaram associações e organizações não-governamentais (ONGs) para coletar material nas ruas da cidade, a sugestão da companhia era que o grupo remanescente fizesse o mesmo. Nós nunca trabalhamos na rua e não queremos fazer isso. A prefeitura não pode colocar a gente para coletar lixo reciclável. Nós estamos sendo injustiçados e queremos apenas trabalhar, disse Silva na época.
Para o presidente da CMTU, Wilson Sella, o aumento na renda dos ex-garimpeiros do Lixão deve-se ao fato de eles terem assimilado o processo de seleção do material reciclável, trabalhando melhor e mais rápido. Sobre a transferência do grupo, posso dizer que estamos em fase final de remanejamento. Em menos de 60 dias eles estarão sediados em um local definitivo, afirmou Sella.


