Grupo busca solução para caos na saúde
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quarta-feira, 24 de junho de 1998
Osmani Costa 
Foi criada ontem em Londrina uma comissão que vai discutir e viabilizar propostas para melhorar o sistema de saúde na Cidade. A comissão será formada por representantes dos Conselhos Regionais de Saúde, Câmara Municipal, hospitais públicos e particulares, 17ª Regional de Saúde, sindicatos dos Servidores Municipais e da Saúde, promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares de Lima, e o secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian. A primeira reunião da comissão será na Câmara de Vereadores, segunda-feira às 9 horas.
A criação da comissão foi decidida durante audiência pública realizada ontem de manhã e que debateu os graves problemas existentes no sistema de atendimento público da saúde de Londrina - com constantes superlotações nos prontos-socorros e falta de leitos nos hospitais.
Mario CesarDebateLideranças participaram da audiência pública que debateu o problema da saúde em LondrinaApesar de convidado há várias semanas para participar do debate, convocado pela Comissão de Seguridade Social da Câmara Municipal, o secretário estadual de Saúde, Armando Raggio, não compareceu. A sua representante, Djamedes Garrido, alegou que o secretário viajou a Brasília, onde teria audiência com o ministro da Saúde, José Serra. Participaram ainda da audiência pública chefes de postos de saúde municipais e diretores dos cinco principais hospitais da Cidade: Hospital Universitário (HU), Santa Casa, Hospital Evangélico (HE), e hospitais estaduais da Zona Sul e da Zona Norte.
Os conselheiros de saúde, diretores dos hospitais e autoridades municipais e estaduais foram unânimes em admitir a crise do setor e em apontar as causas básicas dela. A crise existe porque a população está mais doente - reflexo de problemas econômicos como o desemprego e subnutrição -, os postos de saúde dos bairros não atendem como deviam, faltam leitos nos hospitais, há alternância - dia sim, dia não - no atendimento dos prontos-socorros (PSs) da Santa Casa e HE, a capacidade de atendimento dos hospitais da Zona Sul e Norte está aquém da demanda, e porque o governo do Estado não libera os R$ 30 milhões necessários à reforma e ampliação do HU.
O presidente da Comissão de Seguridade Social da Câmara Municipal, Tercílio Turini, abriu a audiência afirmando que os problemas do setor da saúde pública são sérios e graves na Cidade e região, com um estrangulamento total da capacidade de atendimento dos hospitais londrinenses. O sistema está muito fragilizado e pode entrar em colapso facilmente, a qualquer momento. Boa parte dos pacientes está sendo atendida em macas e nos corredores dos hospitais há vários anos. Temos que tomar as providências com urgência, antes que seja tarde demais para evitar uma iminente explosão do setor.
Os conselheiros regionais de saúde criticaram o caos no atendimento dispensado aos usuários pelos postos de saúde e hospitais da Cidade. Esta baixa qualidade no atendimento segue a lógica do modelo de exclusão imposto pelo sistema econômico neoliberal que vem de Brasília. Os cidadãos da periferia são relegados a segundo plano; e os investimentos no setor da saúde diminuem a cada ano, comentou Nelson Cardoso, membro do Conselho de Saúde da Região Sul (Consul).
Participaram da audiência centenas de pessoas ligadas ao Conselho Municipal e aos cinco conselhos regionais de Saúde, sindicatos de trabalhadores e associações de moradores de bairros e conjuntos habitacionais de toda a Cidade. Entre as autoridades, além de alguns vereadores, estiveram presentes o secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, o promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, e a chefe da 17ª Regional da Secretaria Estadual de Saúde, Djamedes Maria Garrido.


