Grupo articula combate à cola
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de julho de 1997
Guilherme Pupo 
Curitiba
Uma reunião que acontece amanhã no quartel do Comando do Policiamento da Capital (CPC) vai discutir medidas de combate ao uso da cola de sapateiro por menores de rua.
O encontro deve reunir vereadores, promotores, representantes da polícia, do Juizado de Menores e de outros órgãos municipais e estaduais relacionados ao assunto, como SOS Criança, Conselho Estadual de Entorpecentes e projeto Educadores de Rua.
Atualmente, a cola não é considerada oficialmente uma droga, já que não está catalogada como substância entorpecente no Ministério da Saúde. Isso dificulta a detenção dos usuários do produto.
A polícia apreende a cola mas não pode autuar os menores porque não há crime tipificado, diz o comandante do CPC, coronel Renildo Gonçalves da Silva.
O vereador Mario Celso Cunha (PDT), coordenador da reunião, está encaminhando um ofício ao Ministério da Saúde pedindo a inclusão da cola de sapateiro na lista de entorpecentes. Assim, a polícia poderia deter os usuários que fossem flagrados cheirando o produto.
Segundo o vereador, outra proposta é a definição de um local para o encaminhamento dos menores, que devem receber atendimento médico, psicológico e social. Hoje os policiais não sabem para onde enviar as crianças e os próprios órgãos assistenciais ficam transferindo a responsabilidade, observa Mario Celso.
De acordo com ele, uma das idéias seria a divulgação de um número telefônico gratuito para denúncias, facilitando a localização dos infratores.
O atendimento seria feito 24 horas por dia, já que muitos menores são encontrados à noite ou de madrugada. O vereador acredita que cerca de 300 menores utilizem a cola de sapateiro em Curitiba e Região Metropolitana.
A fiscalização dos estabelecimentos comerciais que vendem o produto também deve ser intensificada. Hoje já há uma lei municipal proibindo a venda da cola a menores, mas não há uma fiscalização efetiva, diz Mario Celso.


