O diretor da Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel), padre Lídio Roman, confirmou ontem que os adolescentes que trabalham como fiscais da Zona Azul vêm sendo intimidados e ameaçados por um grupo de jovens, aparentemente menores de idade, que estão arrombando carros na região central de Londrina. Segundo o padre, os grupos estão atuando há pelo menos duas semanas.
De acordo com o diretor da Epesmel, ontem um dos garotos que faz parte do grupo de arrombadores teria mostrado uma arma de fogo a um fiscal que atua nas proximidades do Bosque, próximo à Catedral Metropolitana. ‘‘Acho que a segurança dessa área central precisa de um pouco mais de atenção’’, apontou.
Hoje, o diretor da Epesmel deverá se reunir com a diretoria da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para discutir o problema. Pe. Roman assegurou que os 222 garotos que trabalham como fiscais na zona azul são instruídos a anotarem suas suspeitas e relatarem os casos aos supervisores de área. O valor cobrado de R$ 0,60 não inclui a responsabilidade da Epesmel nas ocorrências de furtos ou outros danos aos veículos.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rubens Guimarães, admitiu que o policiamento no centro foi diminuido nos últimos dias por causa da exposição agropecuária no Parque Ney Braga. ‘‘Amanhã (hoje) já estaremos retornando com o policiamento em duplas na área central’’, garantiu.
Ele pediu para que a população também ajude a polícia a realizar o flagrante da ação do grupo de arrombadores. ‘‘As informações chegam em forma de denúncia e, muitas vezes, não temos como prender. Se forçarmos, poderemos incorrer em abuso de autoridade’’, analisou Guimarães. Os furtos e arrombamentos também estão no alvo da PM, que está fazendo um cadastramento de todas as pessoas que atuam como flanelinhas em Londrina.
O empresário curitibano Amauri Lima pode ter sido uma das vítimas dos arrombadores. Pouco depois das 8h30 da manhã de ontem, ele estacionou seu Ford Royalle na avenida Rio de Janeiro, em frente ao Bosque, e, ao voltar duas horas mais tarde, constatou que havia sido furtado um aparelho de CD e mais de 30 CDs, avaliados em R$ 700,00. ‘‘O fiscal (da zona azul) me disse que tinha sido ameaçado por um rapaz com uma arma que não deixou ele chamar a polícia.’’ Ele alegou que não deu queixa do furto porque tinha outros compromissos e porque considerava remota a possibilidade de reaver seus bens.
No último sábado, a atendente de classificados Juliana Liuti foi outra vítima. Ela até percebeu a movimentação estranha de dois menores próximo ao seu carro, um Fiat Uno, ao olhar pela janela do prédio onde trabalha, em frente ao Bosque. ‘‘Eles aproveitaram para entrar no carro assim que os fiscais da Zona Azul saíram’’, disse. Por sorte, os ladrões não conseguiram levar nada.

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