Um grupo de trabalhadores da Frente de Trabalho deve entrar hoje com uma representação contra o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), por ofensas morais. O grupo se reúne às 15 horas com o promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, para estudar as ações cabíveis. Dois integrantes do grupo se sentiram verbalmente agredidos pelo prefeito, durante uma discussão, ontem, na Prefeitura, e chegaram a ir até a 10ª Subdivisão Policial para registrar queixa. Só desistiram depois de conversar com um advogado que indicou a promotoria como melhor caminho.
Segundo Marcos Aureliano Rodrigues, 23 anos, uma comissão formada por sete pessoas foi até a prefeitura, na manhã de ontem, tentar negociar com o prefeito a possível contratação de todos os 80 trabalhadores da Frente de Trabalho que prestam serviços no Caic Dolly Torresin, na zona sul. ''Há uma mobilização do pessoal que pensa até em paralisar as atividades no Caic, a partir de segunda-feira, reivindicando a contratação. Fomos conversar com prefeito, preocupados com a situação das crianças, já que são 1.410 alunos ali'', explicou.
Depois de esperar por quatro horas sem conseguir ser encaixado na agenda, o grupo aproveitou para questionar Micheleti quando ele saiu da sala do secretário de Fazenda Paulo Bernardo. ''Mas fomos recebidos com grosserias. O prefeito se exaltou e nos chamou de mentirosos, gritou e quase me agrediu'', afirmou. A faxineira Maria da Paz, 42 anos, há cinco na frente de Trabalho, confirmou a denúncia do colega. ''Ele, como prefeito, não deveria tratar a gente do jeito que tratou'', reclamou.
Nedson Micheleti minimizou o incidente, dizendo que o grupo foi cobrar algo que ele, por lei, não poderia cumprir. ''Quanto a me exaltar, não aconteceu nada disso. E quem me conhece sabe o jeito que trato a todos que me procuram'', afirmou. O secretário Paulo Bernardo, que presenciou a cena, confirmou a versão do prefeito. ''O que aconteceu foi que eles queriam que o prefeito revise a questão do Plano de Demissão Incentivada (PDI), ameaçando entrar em greve'', explicou.
Segundo Bernardo, o prefeito tentou explicar que demissão da Frente é uma imposição do Ministério Público. ''Mas eles começaram a se exaltar e chegaram a dizer que o prefeito não fez nada para impedir. Nedson pediu para eles se informarem melhor e o garoto (Marcos) chegou a dizer que era mentira. A única coisa que aconteceu foi que o Nedson se impôs ali e exigiu o respeito que merece'', afirmou.

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