Grupo acampa no acesso às obras de Salto Caxias
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segunda-feira, 02 de março de 1998
Paulo Pegoraro 
Cerca de trinta pessoas permaneciam ontem às margens da via de acesso ao canteiro-de-obras da Usina de Salto Caxias, em Capitão Leônidas Marques (77 km ao sul de Cascavel), dando sequência a protesto iniciado sexta-feira sob alegação de que a Copel excluiu alguns setores dos processos de indenização e reassentamento. A mobilização é liderada pelo Movimento dos Atingidos da Barragem Elétrica de Salto Caxias (Mabesc).
O grupo, formado basicamente por pequenos comerciantes, está em barracas instaladas nas proximidades da guarita onde, além de seguranças da própria Copel, há policiais militares para impedir tentativa de ocupação do canteiro-de-obras. O presidente do Mabesc, Assis Malacarne, ameaçou na semana passada invadir e paralisar as obras, apesar da Justiça preventivamente ter proibido este tipo de ação, deferindo ação cautelar movida pela companhia.
A Comarca de Capitão Leônidas Marques estabeleceu que o descumprimento da ordem implicará em responsabilização criminal do Mabesc e de seu presidente, e multa diária de R$ 839 mil, custo estimado pela Copel para cada dia de trabalho no canteiro-de-obras. O protesto pode ser ampliado hoje, com manifestantes reunidos em vários municípios da faixa do Rio Iguaçu, onde no final do ano ocorrerão alagamentos com o fechamento das comportas da hidrelétrica.
O Movimento alega que cerca de quinhentas pessoas não foram incluídas nos processos indenizatório e de reassentamento, a maioria no primeiro caso. Os excluídos são basicamente donos de pequenos estabelecimentos comerciais localizados fora da faixa dos alagamentos, mas que sofrem redução das vendas porque muitas famílias de agricultores já estão se transferindo para os locais de reassentamento em outros municípios.


