Groger escala montanhas aos 85 anos
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Kraw PenasErwin Groger, 85 anos, o mais velho montanhista em atividade no Paraná, quer repovoar a Serra do Mar com orquídeasO par de olhos azuis de Erwin Groger já viu um pouco de tudo. Mas foi na natureza que se fixou a maior parte dos seus 85 anos, completados ontem. Montanhista, professor, orquidófilo, artista plástico, esse austríaco naturalizado brasileiro chegou ao que chama de quarta juventude com o corpo em forma e a mente cheia de projetos.
Na sexta-feira - quando recebeu a Folha com café capuccino e bolo de mel preparados por ele mesmo -, Groger estava contrariado com o cancelamento de uma expedição. Hoje eu deveria estar em cima do Pico Paraná, que tem 1.940 metros de altura, mas o grupo cancelou por causa da chuva dos últimos dias, disse. Mais antigo montanhista em atividade no Paraná, Groger tem uma vitalidade invejável para sua idade. Faz longas caminhadas diárias, pratica musculação uma vez por semana e orgulha-se das aberturas de pernas que ainda consegue fazer.
No montanhismo, a agilidade já não é a mesma. Groger conta que, nas expedições, vai sempre cercado por quatro ou cinco companheiros, e leva menos peso e mais tempo que há alguns anos para subir uma montanha. Mas sempre vou com um cajado, que permite economizar até 35% da energia na subida e até 45% na descida, afirma.
A queda no rendimento, contudo, não preocupa o Professor, como é chamado entre os montanhistas. Hoje, já não lhe interessam tanto as escaladas técnicas, mas a oportunidade de estar perto da natureza para retratá-la em aquarelas, óleos sobre tela e uma série de outras técnicas.
Groger calcula que já pintou mais de 300 telas, todas com uma preocupação: Quero eternizar o que não verei mais e o que muitas pessoas jamais viram. Nada, porém, se compara ao número de reproduções artísticas de orquídeas - a outra paixão de Groger, premiado em 1989 na exposição anual de orquídeas de Washington D.C. (EUA), por suas aquarelas de orquídeas brasileiras.
Numa estufa nos fundos da casa, ele cultiva mais de 300 espécies de orquídeas. Conta que já teve mais de mil, mas foi obrigado a descuidar-se delas com a doença da mulher, que morreu em 1990. Groger não cultiva orquídeas só para apreciar-lhes a beleza. Sua maior preocupação é repovoar as montanhas. Faz isso com a ajuda dos amigos montanhistas. Agora, começou a cultivar grama em copinhos plásticos. Depois, quero espalhar essas mudas pelos charcos, para evitar erosão e deslizamentos, diz.
Groger, além dos 85 anos de idade, está comemorando 80 de montanhismo. Com cinco anos, eu fugia de casa para subir montanhas. Hoje, a maior parte de suas viagens está voltada para o turismo, sempre agregado à pintura e aos estudos botânicos. Seu próximo projeto: conhecer Fernando de Noronha.


