Grito reúne 700 excluídos em Curitiba
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segunda-feira, 07 de setembro de 1998
Guilherme Vieira 
O 4º Grito dos Excluídos teve a participação de cerca de 700 pessoas ontem em Curitiba, na Comunidade da Capela Santa Terezinha, no Bairro Novo. A manifestação promovida pelas Pastorais Socias da Igreja Católica em mil cidades brasileiras tem a proposta de sensibiliar o governo federal e a sociedade sobre as dificuldades que os trabalhadores vêm passando para conseguir acesso a emprego, salário digno, educação, saúde e terra.
A chuva acabou causando a suspensão
da marcha pelas ruas do Bairro Novo
e as atividades se restringiram a uma celebração em um barracão coberto por lonas. O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, Roberto Baggio avaliou que a celebração em Curitiba alcançou seus objetivos. A comunidade e a população demonstraram o seu descontentamento, acreditando que é possível organizar um Brasil diferente, onde o povo tenha a oportunidade de trabalho, de ter terra e uma vida digna, disse.
O deputado petista Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha, também esteve no local e aproveitou a manifestação para fazer campanha pela reeleição. Eu tenho participado de todos os atos no que diz respeito a liberdade do povo, seja o Grito dos Excluídos ou a Romaria da Terra, porque eu acho importante a participação popular nos rumos que o País está tomando, falou.
A celebração do 4º Grito dos Excluídos foi feita durante a Marcha pelo Brasil. Sete grupos de trabalhadores sem terra partiram de diversas regiões do estado em direção a Curitiba há 36 dias. Segundo a coordenadora da Pastoral Operária de Curitiba e Região Metropolitana, Rosa Maria Ambrosini, são cerca de duas mil pessoas. Os participantes da marcha vão se reunir no Parque Barigui, de onde vão sair pelo centro da cidade para realizar panfletagens.
Eles ficam em Curitiba por três dias, acampados no terreno do Sindicato dos Trabalhadores Telefônicos, no alto do São Francisco. A prefeitura e a Sanepar já iniciaram a preparação do local, que vai receber 20 banheiros, barracas e atendimento médico 24 horas. Também vai estar instalado no local um ônibus da Linha do Sopão, para distribuição de alimentação aos manifestantes.


