Cerca de cem pessoas participaram ontem da 12 edição do Grito dos Excluídos em Londrina. O evento aconteceu simultaneamente em outras cidades e algumas capitais brasileiras. Aqui, eles se reuniram em frente ao Santuário da Vila Nova (Região Central) e depois seguiram para a Avenida Leste-oeste, participando do desfile cívico-militar.
''Queremos chamar a atenção da população para o fato de que neste País maravilhoso ainda há 50 milhões de excluídos'', explicou o padre Jorge Pereira, que é um dos assessores das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Londrina. O setor das Pastorais Sociais da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é que organiza o evento em todo o País.
Ao meio-dia, os participantes da manifestação deram o grito que marca o evento e fizeram a distribuição de pipoca, maçã, melancia, amendoim, laranja e mudas de plantas, simbolizando a partilha de alimentos. Um grupo de jovens fez uma apresentação utilizando um caixão, para protestar pela morte de adolescentes.
Curitiba - Em Curitiba, a manifestação por pouco não aconteceu. A Polícia Militar montou uma barreira a uma quadra de Avenida Cândido de Abreu, local dos desfiles de homenagem ao Sete de setembro, para impedir que manifestantes do Grito chegassem próximo ao cortejo oficial. A barreira durou mais de uma hora. A justificativa dos policiais militares era que ninguém da organização havia pedido autorização com antecedência.
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), além de representantes de sindicatos, pastorais sociais, sem-teto, grupos de economia solidária e movimentos estudantis participaram da manifestação. O maior grupo era formado por integrantes de um assentamento da Lapa, a 71 km ao oeste de Curitiba. ''Esse é o melhor jeito de comemorar a Independência do Brasil'', ironizou o assentado Jose Maria Tardin.
A caminhada não pôde ser realizada junto com o desfile e nem na mesma avenida. Os manifestantes tiveram que ir até a Praça 19 de Dezembro pela rua paralela à Cândido de Abreu. No meio da passeata, o carro de som quebrou e eles se dispersaram. Este ano, o Grito dos Excluídos reuniu cerca de 200 pessoas. ''Nossa intenção não é reunir um grande grupo, mas sim chamar a atenção para os problemas da sociedade'', ressaltou o bispo auxiliar de Curitiba Dom Ladislau Biernasky.
Esta edição do Grito teve como tema: ''Brasil - Na Força da Indignação, Sementes da Transformação''. As principais bandeiras da mobilização dos manifestantes são: mudanças profundas na política econômica, com suspensão do pagamento da dívida e prioridade para as políticas sociais;
anulação do leilão da Vale do Rio Doce; reforma política que avance além do financiamento público de campanha e fidelidade partidária e que contemple mecanismos de participação popular direta em temas de interesse nacional (plebiscitos e referendos), além de uma investigação e punição rigorosa para a corrupção.

mockup