Contra a exclusão social, centenas de londrinenses vão participar, na manhã de hoje, do Grito dos Excluídos, que chega ao 15º ano defendendo o tema ''Vida em primeiro lugar: a força da transformação está na organização popular''. Após uma breve celebração no estacionamento da Paróquia Rainha dos Apóstolos, na Avenida Tiradentes, prevista para começar às 8 horas, o grupo segue em direção à Avenida Leste-Oeste, onde irá integrar o Desfile da Independência.
Conforme o padre Altair Manieri, coordenador das pastorais sociais da Arquidiocese de Londrina, são esperadas de 200 a 500 pessoas no Grito deste ano, que também contará com a presença de índios caingangue. ''Vestidos com trajes típicos, eles vão pedir mais território, pois a terra onde vivem já não comporta o crescimento da tribo'', citou.
Também foram convidadas todas as entidades londrinenses que trabalham com a promoção da vida, além de sindicatos ''e pessoas de boa vontade''. Segundo o padre Manieri, foram realizadas cinco reuniões preparatórias com os coordenadores das pastorais sociais para difundir, entre os fiéis, o tema deste ano, que discute o enfraquecimento das organizações populares.
''Eleição de um governo de esquerda trouxe, na época, uma expectativa de mudança, promovendo a autoconfiança dos movimentos sociais. Mas na prática, sabemos que não foi bem assim, que mesmo o governo sendo de esquerda, a conquista da cidadania não aconteceu'', explicou o padre, reforçando o pouco envolvimento das lideranças na organização da população brasileira atualmente.
''Neste sentido a Igreja surge como um instrumento de ajuda e articulação das comunidades'', completou Manieri, reforçando que o ato é ecumênico. ''Ao final do desfile faremos uma grande partilha de alimentos, mostrando que no mundo que queremos não existem excluídos.''
O desfile cívico na Avenida Leste-Oeste deve reunir cerca de 4,6 mil participantes de 72 entidades e escolas municipais. A abertura, marcada para 8h45, será feita pelo 30º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIM), de Apucarana, o qual vai hastear a bandeira, executar o Hino Nacional e realizar a vistoria de saudação aos outros participantes.
História
Manifestação popular carregada de simbolismo, o Grito dos Excluídos é um espaço aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com a causa da exclusão. Realizado sempre no Dia da Pátria, 7 de setembro, o Grito teve origem no setor pastoral social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para dar continuidade à reflexão da Campanha da Fraternidade de 1995, cujo lema ''Eras tu, Senhor'' abordava a fraternidade e os excluídos.
Conforme o padre Altair Manieri, o ato tem como finalidade não apenas a crítica do modelo neoliberal, mas também a preocupação propositiva de buscar alternativas. Daí seu duplo caráter: de protesto e afirmação, de denúncia e anúncio. ''Não é um movimento nem uma campanha, mas um espaço de participação livre e popular, em que os próprios excluídos, junto aos movimentos e entidades que os defendem, trazem à luz o protesto oculto nos esconderijos da sociedade e, ao mesmo tempo, o anseio por mudanças.''

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