Gripe eleva mortalidade infantil em maio
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segunda-feira, 08 de junho de 1998
Guilherme Vieira 
O Hospital Pequeno Príncipe registrou durante o mês de maio a morte de 45 crianças internadas, número bem superior à média mensal da instituição, que é de 30 óbitos por mês. O diretor clínico do hospital, Donizetti Giamberardino, informou que esse triste desempenho aconteceu por causa do grande número de casos de crianças contaminadas pelo vírus da gripe, que acabaram morrendo por complicações, como pneumonia. Segundo Giamberardino, o aumento de mortes corresponde a um crescimento de 10% em relação à média mensal apurada na instituição. A média de mortes do Hospital Pequeno Príncipe é de 2,7% do total de internamentos. Segundo o diretor, maio registrou 3,04% de óbitos em relação ao total de pacientes.
A direção do hospital não pretende encaminhar nenhuma recomendação especial para a Secretaria Estadual de Saúde por causa desses números. Mesmo estando historicamente alto demais, o índice não é preocupante porque as mortes ocorreram em função de complicações pulmonares e não de alguma epidemia, disse Giamberardino. O diretor explicou que os números de maio ainda estão sendo analisados pela equipe do hospital, mas até agora não houve nada que chamasse a atenção. O que poderia evitar essas mortes seria uma melhor alimentação, melhor moradia, enfim tivessem uma melhor condição social, afirmou.
Manobra - O aumento na ocorrência de viroses no mês de maio obrigou a diretoria do Hospital Pequeno Príncipe a diminuir as internações por cirurgias eletivas para 40% e dar prioridade às vagas para os doentes clínicos, que receberam 60% dos leitos. Em condições normais, as vagas para os doentes internados por problemas clínicos eram de 45% e 55% para os casos cirúrgicos.
Mesmo com todo esse esforço, hoje não existem vagas disponíveis para internação no Pequeno Príncipe. Giamberardino disse que isso acontece por causa das antigas internações, e que em 10 dias as vagas devem estar disponíveis à população, se tudo correr bem. Como as consultas no Pronto Atendimento já começaram a diminuir, de 600 para 350 ao dia, isso é um indicador que logo deveremos estar com vagas para internamento.
A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba também monitorou a redução da procura da população pelos postos de saúde em relação à segunda quinzena de maio, quando todos os postos trabalharam superlotados. Na Unidade de Saúde 24 horas do Boa Vista, o movimento caiu de 780 para 500 consultas médias diárias. Na Unidade do Sítio Cercado foram realizados 700 atendimentos, em relação aos 1,2 mil realizados durante o surto de gripe. Na Unidade do Boqueirão, o movimento diminuiu de 950 para 550 ao dia. Marisa dos Santos foi uma das pessoas que levou, na manhã de ontem, os filhos André (8 meses) e Nádia (6 anos) à Unidade de Saúde do Boqueirão e sentiu a diferença no atendimento prestado. Eles vão ser consultados em apenas 45 minutos comemorou.
O tempo de espera por uma consulta também foi reduzido em cerca de 50% nos outros postos de saúde municipais em razão da queda da procura da população. Hoje o tempo médio de espera por um atendimento vai de uma a três horas, razão pela qual a prefeitura vai manter trabalhando os 150 médicos que foram contratados no mês de maio.A média de mortes, no Pequeno Príncipe, subiu de 2,7% para 3,04% do total de pacientes internados, no mês passado
Mauro FrassonMelhorCom a diminuição do surto de gripe neste mês, os pacientes, como os filhos de Marisa dos Santos, são atendidos com mais rapidezO que poderia evitar
essas mortes seria uma
melhor alimentação,
afirma médico


